Garis de Colatina denunciam atraso em horas extras, falta de EPIs e condições precárias de trabalho; audiência pública será realizada na Câmara

Categoria afirma que Prefeitura pagou apenas 70% das horas extras e pretende descontar o restante no banco de horas. Trabalhadores relatam falta de banheiros, uniformes e segurança durante o serviço.

Garis do município de Colatina procuraram a redação do Portal ES Fala nesta semana para denunciar uma série de problemas enfrentados pela categoria nos últimos meses. Segundo os profissionais, além do atraso no pagamento de horas extras, faltam equipamentos de proteção individual (EPIs), uniformes e até banheiros para uso durante o expediente.

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De acordo com os trabalhadores, apenas 70% das horas extras realizadas foram pagas pela Prefeitura, enquanto os outros 30% não foram quitados. Eles afirmam que o município quer compensar o valor restante no banco de horas. Para tentar solucionar o impasse, houve uma reunião entre representantes dos garis e o secretário de Recursos Humanos da administração municipal.

“A reunião ocorreu na sede do sindicato, no SISPMC. Falamos das nossas dificuldades e do que exigimos. Eles querem descontar no banco de horas o que falta, e isso a gente não aceita”, relatou um dos participantes.

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As denúncias vão além da questão financeira. Os trabalhadores afirmam que estão sem receber EPIs e que não há banheiros disponíveis durante os serviços nas ruas.
“Se quisermos fazer nossas necessidades, temos que ir para o mato, correndo risco de encontrar cobras e escorpiões, ou entrar em casas abandonadas. As pessoas falam que a cidade está suja e nos culpam, mas não sabem o que está acontecendo”, relatou outro gari.

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Audiência pública ocorrerá em Colatina/Redes sociais

Os trabalhadores também afirmam que situações semelhantes estariam ocorrendo em outras secretarias do município. Em alguns bairros, moradores já teriam percebido redução no ritmo da limpeza, reflexo do que os garis chamam de “operação tartaruga”.

Para discutir a situação, será realizada uma audiência pública no dia 26 de novembro, às 18h, no plenário da Câmara Municipal de Colatina, promovida pelo vereador Vitor Louzada. A reunião pretende ouvir garis, representantes da administração municipal, moradores e demais interessados.

Além disso, no dia 3 de dezembro haverá uma assembleia da categoria, onde os trabalhadores devem decidir os próximos passos.
“No dia 3 vamos decidir o que fazer. Nada está descartado — até uma paralisação pode acontecer”, afirmou um dos líderes do movimento.

O Portal ES Fala seguirá acompanhando o caso e trará novos desdobramentos sobre as reivindicações dos trabalhadores da limpeza pública de Colatina.

O QUE DIZ A PREFEITURA DE COLATINA

A Prefeitura Municipal de Colatina informa que mantém diálogo permanente com os agentes de serviços urbanos  sobre as principais demandas da categoria. 

Nos últimos meses, foram realizadas pelo menos três reuniões com representantes dos trabalhadores e do SISPMC, a última delas no último dia 19. 

Durante esses encontros, a administração municipal esclareceu que a redução no volume de horas extraordinárias decorre de orientações expressas dos órgãos de controle interno e externo. Tais órgãos apontaram que o crescimento das horas extras a partir do período eleitoral de 2024 ocorreu em patamar incompatível com os princípios da eficiência, da economicidade e da obrigatoriedade constitucional de provimento de cargos por concurso público. A manutenção desse cenário poderia levar à responsabilização dos gestores por improbidade administrativa, razão pela qual o município vem ajustando a prática de maneira gradual, responsável e transparente.

A partir da próxima segunda-feira (24), serão encaminhados à Câmara Municipal Projetos de Lei para criação de cargos temporários, possibilitando a realização de processo seletivo e a recomposição emergencial do quadro. 

No que se refere às condições de apoio durante a jornada, já está acordado que serão estabelecidos pontos de apoio em escolas, unidades de saúde e outros prédios públicos. Nessas unidades, os garis poderão utilizar banheiros, fazer refeições, guardar materiais e equipamentos e acessar outras estruturas essenciais ao longo do expediente.

Quanto às horas extras já executadas e ainda não quitadas, a administração reafirma que todos os valores serão pagos no mês de dezembro, conforme pactuado com a representação da categoria.

Por fim, em relação aos EPIs e uniformes, esclarece que o orçamento de 2025 — aprovado pela gestão anterior — não previu recursos suficientes para tais aquisições. Apesar disso, a atual gestão fará um investimento de aproximadamente R$ 3 milhões para solucionar o problema. O processo licitatório encontra-se na fase final.

A Prefeitura de Colatina reafirma seu compromisso com a segurança, a valorização e as condições dignas de trabalho dos agentes de serviços urbanos, mantendo diálogo aberto, responsável e contínuo para aprimorar os serviços prestados à população e fortalecer as políticas públicas voltadas à categoria.

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