Centenas de pessoas foram às ruas de Vitória, nesta sexta-feira (28), para cobrar justiça em dois dos episódios mais marcantes e traumáticos do Espírito Santo: os 10 anos do crime socioambiental da Samarco/Vale-BHP e os 3 anos do massacre em duas escolas de Aracruz. O ato reuniu atingidos de diversos municípios capixabas, além de delegações de Minas Gerais e da Bahia.
A caminhada teve início na Praça do Papa, na Enseada do Suá, seguiu em direção à Escola Professora Flávia Amboss Merçon Leonardo, em Santa Helena, e terminou na Assembleia Legislativa do Espírito Santo (Ales), onde foi lida uma carta pública do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB).
A carta divulgada na Ales foi construída de forma coletiva durante a plenária popular “Somos Todos Atingidos”, parte da programação do evento “Encontro dos 10 anos do MAB no Espírito Santo – do rio ao mar é tempo de avançar!”.
Segundo o coordenador nacional do MAB, João Paulo Lyrio Izoton, o lema reflete a identidade da população impactada:
“Nosso povo é ribeirinho, agricultor, pescador, do interior, mora na beira da praia. Em qualquer cais que você esbarrar por aí, seja no Rio Doce, no Cricaré, em Santa Cruz, você vai encontrar alguém que sabe o nome do MAB.”
A carta denuncia a falta de responsabilização nos desastres da mineração:
“Nenhuma empresa e nenhum executivo foi punido; essas empresas criminosas seguem lucrando bilhões às custas dos atingidos”, afirmam os signatários.
O documento também reforça que os atingidos seguem “em luta por reparação, reconhecimento, participação popular e defesa do meio ambiente”.
João Paulo destacou que, embora haja avanços — como o fim da Fundação Renova —, ainda há muito a ser cobrado:
“Agora a chave do cofre está com o Estado. É ele que vamos cobrar.”
Lembrança do massacre em Aracruz e homenagem a Flávia Amboss
O texto também relembra o ataque às escolas de Aracruz, ocorrido em novembro de 2022, que vitimou fatalmente a estudante Selena Sagrillo e as professoras Maria da Penha Banhos, Cybelle Bezerra e Flávia Amboss Merçon Leonardo, esta última militante do MAB.
Os manifestantes classificaram o atentado como:
“O ataque neonazista mais violento de nosso país.”
Durante o ato, a antiga Escola Fernando Duarte Rabello foi oficialmente renomeada como Escola Professora Flávia Amboss Merçon Leonardo, conforme o Projeto de Lei 450/2025, de autoria da deputada estadual Camila Valadão (Psol). A homenagem incluiu distribuição de flores brancas.
SIGA O INSTAGRAM DO PORTAL DE NOTÍCIAS ES FALA:@esfalaoficial

A militante Ana Helena Andreon recordou a trajetória de Flávia:
“Flávia era uma mulher feminista, lutadora. Morava em Regência. Assumiu a luta quando a lama chegou. Poucos dias depois de defender o doutorado, ela foi morta.”
A diretora da escola, Vanessa Barbosa Tavares, relatou que os alunos inicialmente estranharam a mudança, mas passaram por um processo de resgate histórico que os fez “abraçar” o novo nome da instituição.
A estudante Victória Thomaz Sá emocionou o público:
“Flávia significa muita luta pra mim. Ela sempre acreditou em jovens como eu, que têm mais dificuldade de acesso às coisas.”
Programação continua neste sábado (29)
O “Encontro dos 10 anos do MAB no Espírito Santo – do rio ao mar é tempo de avançar!” segue neste sábado com atividades culturais no entorno da Assembleia Legislativa. A programação inclui:
- Feira de produtos artesanais e gastronômicos durante todo o dia
- 11h — Apresentação do Coletivo de Circo Capixaba Watu, Reis de Bois, Congo Benedito, Slam e Batalha do Conhecimento
- 18h — Show de Mazin
- 20h — Show de Zé Geraldo















