Espírito Santo registra mais de mil novos casos de HIV em 2024; 20,7 mil pessoas estão em tratamento no Estado

Dados da Sesa mostram avanço na prevenção, mas sociedade civil alerta para desigualdades, estigma e desafios na rede de atendimento.

O Espírito Santo tem atualmente 20,7 mil pessoas vivendo com HIV/Aids em tratamento, segundo dados divulgados pela Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) com base em registros atualizados até 31 de outubro deste ano. Em 2024, foram 1.074 novos casos notificados, sendo 256 mulheres, 818 homens e cinco crianças. No mesmo período, 152 pessoas morreram no Estado em decorrência da doença. Os números são preliminares e foram extraídos do sistema e-SUS Vigilância em Saúde.

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Em 2023, o Estado havia registrado 1.106 novos casos, o que indica estabilidade no cenário epidemiológico. Apesar disso, especialistas e organizações da sociedade civil afirmam que persistem desafios importantes, tanto no diagnóstico quanto no acesso aos serviços de prevenção e tratamento.

A Sesa destaca que 4,5 mil pessoas utilizam Profilaxia Pré-Exposição (PrEP) no Estado, distribuída em 35 serviços habilitados. A Profilaxia Pós-Exposição (PEP) está disponível em 96 pontos. Ambas as estratégias integram a chamada prevenção combinada, que inclui ainda testagem, tratamento, distribuição de preservativos internos, externos e gel lubrificante.

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Segundo Elaine Soares, enfermeira e referência técnica de HIV da Coordenação Estadual de IST/Aids, os avanços no tratamento fazem com que viver com HIV não seja sinônimo de adoecimento. Ela afirma que uma pessoa que mantém o tratamento corretamente permanece com carga viral indetectável, não adoece pela imunossupressão e não transmite o vírus nas relações sexuais. O mesmo vale para gestantes em tratamento adequado.

Entidades como a Rede Nacional de Pessoas Vivendo com HIV/Aids (RNP+) alertam que, apesar dos avanços técnicos, ainda há estigma, desinformação e falta de suporte em saúde mental, fatores que dificultam a adesão ao tratamento.

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A organização aponta ainda:

  • Implementação progressiva do medicamento Dovato, dose única diária, considerado um avanço na adesão.
  • Elaboração de linha de cuidado para lipodistrofia, com oferta de preenchimento facial — demanda histórica do movimento.
  • Dificuldades estruturais e falta de equipes multidisciplinares completas nos Serviços de Atenção Especializada (SAEs).

Segundo a RNP+, nenhum SAE do Estado possui a composição completa recomendada pelo Ministério da Saúde — que prevê psicologia, assistência social, psiquiatria, ginecologia, ortopedia e infectologia.

A juventude segue como um dos grupos mais afetados. Dados preliminares apresentados pela Sesa mostram que pessoas de 15 a 29 anos representam grande parte das novas infecções, especialmente entre homens bissexuais e HSH (homens que fazem sexo com homens).

Embora 26 dos 31 SAEs e CTAs do Estado tenham estrutura para PrEP, organizações afirmam que o acesso ainda é concentrado nos grandes centros urbanos, dificultando o uso por quem vive em áreas distantes.

O vice-representante estadual da RNP+ afirma que apenas cerca de 8% dos municípios ofertam PrEP na atenção primária, o que classifica como “avanço tímido”.

Metas da ONU e panorama nacional

Em 2024, o Brasil atingiu 96% de diagnósticos entre pessoas vivendo com HIV, cumprindo uma das metas da ONU para eliminação da Aids como problema de saúde pública até 2030.

Ainda assim, o Ministério da Saúde reconhece desafios como:

  • Reconectar pessoas que abandonaram o tratamento
  • Combater desigualdades regionais
  • Ampliar em 142% o número de usuários de PrEP até 2027

A RNP+ estima que o Espírito Santo tenha aproximadamente 23 mil pessoas vivendo com HIV, incluindo aquelas que não foram testadas.

Dezembro Vermelho começa nesta segunda (1º)

Nesta segunda-feira (1º), o Dia Mundial de Luta contra a Aids abre a campanha Dezembro Vermelho, marcada por ações de mobilização, prevenção e enfrentamento ao estigma.

A Sesa relembra a importância da testagem, do acesso ao tratamento antirretroviral, da PrEP, da PEP e do uso de preservativos como pilares da prevenção combinada.

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