Sesa conclui auditoria do parto normal de ‘bebê gigante’, em hospital de Colatina

Secretaria afirma que Hospital São José seguiu protocolos, mas família questiona conclusão e relata dificuldades na recuperação da mãe e do bebê Alderico, que nasceu com ombro deslocado e ficou cinco minutos sem respirar.

A Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) divulgou nesta semana o resultado da auditoria aberta para investigar as condições do parto do bebê Alderico, que nasceu com 6,5 kg no Hospital São José, em Colatina, no dia 9 de agosto. O caso ganhou ampla repercussão após o relato da mãe, Ariane Borges, de 39 anos, que afirmou que o filho sofreu deslocamento do ombro durante o nascimento e passou cinco minutos sem respirar, enquanto ela enfrentou hemorragia e precisou levar 55 pontos.

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A auditoria, instaurada em 8 de outubro, concluiu que o hospital seguiu os protocolos, baseando-se nas informações do pré-natal encaminhado pelo município. Segundo a Sesa, Ariane não teria concluído o pré-natal e apresentava histórico de bebês grandes nascidos por parto normal, além de se enquadrar nos critérios de gestação de alto risco. Em nota, a secretaria também afirmou que “mãe e bebê evoluíram bem após o parto”.

A NOTA NA ÍNTEGRA DA SESA SOBRE AUDITORIA

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A Secretaria da Saúde do Espírito Santo (Sesa|ES) concluiu auditoria sobre o atendimento realizado no Hospital Maternidade São José sobre o caso chamado “bebê gigante”. 
A análise atestou que o hospital atuou conforme o encaminhamento recebido do município e com as informações disponíveis sobre o pré-natal na ocasião, garantindo o atendimento rápido que preservou a vida da mãe e do recém-nascido.
A auditoria apontou que a paciente não completou o pré-natal e que possuía histórico de bebês grandes nascidos pela via natural. Concluiu também que a paciente tinha critérios formais para ser classificada como gestante de alto risco. Informações coletadas junto ao município confirmam que o bebê está em acompanhamento fisioterapêutico semanal, com evolução favorável da mobilidade do ombro e braço. Da mesma forma, foi verificado que a mãe apresentou boa resposta clínica, evoluindo bem após o parto e sem intercorrências ou complicações após a alta hospitalar.
A Sesa informa que o caso será encaminhado para aprimoramentos na rede municipal, e que vai realizar aperfeiçoamento dos sistemas de informação entre Atenção Primária e maternidades, além de ofertar capacitações para o fortalecimento da linha de cuidado às gestantes.

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O bebê completou quatro meses, pesa 8,9 kg e mede 70 cm/Acervo

MÃE CONTESTA AUDITORIA

Ariane discorda da conclusão da Sesa. Em entrevista após ter acesso ao resultado da auditoria, ela afirmou enfrentar um dos períodos mais difíceis da vida. O marido e pai de Alderico faleceu na terça-feira (9), vítima de um infarto, agravando ainda mais a situação emocional da família.

O bebê completou quatro meses, pesa 8,9 kg e mede 70 cm, mas ainda sofre com as sequelas do parto. Segundo a mãe, Alderico faz fisioterapia duas vezes por semana, porém os movimentos do braço e da mão afetados não retornaram, e a evolução é considerada lenta. Ela afirma que a criança apresenta cansaço e dificuldade para respirar, reflexo do período em que ficou sem oxigênio logo após nascer.

Ariane relata também sequelas próprias. Os pontos do parto “não cicatrizaram corretamente”, resultando em episódios recorrentes de hemorragia. Apesar do uso de antibióticos, o sangramento continua, e ela segue em acompanhamento médico.

A mãe diz que realizou o pré-natal em Água Doce do Norte e em outras cidades, e que os profissionais do Hospital São José tinham ciência de que se tratava de uma gestação de alto risco. No entanto, segundo ela, o parto foi induzido mesmo sem dilatação e sem dor, o que questiona a conduta aplicada.

Ariane afirma ainda que foi colocada de bruços durante o procedimento, e que o bebê foi puxado “para ver como ele estava”, o que, na visão dela, contribuiu para as complicações no nascimento.

A NOTA NA ÍNTEGRA DO HOSPITAL SÃO JOSÉ

A direção do Hospital São José informa que, até o momento, não recebeu nenhuma notificação oficial da Sesa referente à ocorrência mencionada. A instituição reafirma seu compromisso com a transparência e está aberta a revisar seus procedimentos e fluxos assistenciais sempre que houver apontamentos de órgãos oficiais competentes.
 O hospital mantém em sua equipe um quadro de especialistas altamente qualificados na área de maternidade, incluindo profissionais voltados ao cuidado de gestantes de alto risco. Segue, assim, um padrão de excelência pautado na atenção, no carinho e no cuidado dedicado a cada paciente e atendimento realizado.
 O Hospital São José reitera seu comprometimento com o atendimento, o cuidado e o bem-estar de toda a população e manterá contato com a Sesa para obter mais informações sobre o desfecho da apuração.

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