Praça Sol Poente: de cartão-postal e espaço cultural a estacionamento provisório em Colatina

Área que marcou gerações como ponto de lazer, convivência e eventos passa a ser usada para abrigar cerca de 100 veículos, decisão que divide opiniões na cidade

Uma das áreas mais importantes de Colatina, a Praça Sol Poente, conhecida por décadas como palco de festas, confraternizações e encontros familiares, terá sua função descaracterizada a partir deste mês de dezembro. O espaço, que já foi símbolo de lazer, cultura e gastronomia no município, passará a ser utilizado parcialmente como estacionamento de veículos.

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O anúncio foi feito pela Prefeitura de Colatina, por meio da Secretaria Municipal de Trânsito, que informou que a área será ocupada para abrigar aproximadamente 100 carros. A medida vem sendo apresentada pela gestão municipal como uma alternativa para amenizar os problemas de estacionamento no Centro da cidade, enquanto não ocorre o retorno do estacionamento rotativo — serviço que, vale destacar, foi suspenso pela própria administração.

Diante da mudança, o Portal de Notícias ES FALA foi às ruas para ouvir moradores e comerciantes sobre a decisão que transforma um antigo cartão-postal do município em um espaço destinado, ainda que de forma provisória, ao uso veicular.

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Moradora do bairro Vila Nova, que acompanhou o surgimento e a consolidação da Praça Sol Poente como área de convivência social, relatou surpresa e indignação ao perceber a alteração do espaço.
“Eu não sabia. Vi umas máquinas há alguns dias retirando uma pista de skate, que era uma área de lazer, e agora vejo carros no local. Quando vi o pessoal trabalhando, cheguei a pensar que iriam investir na melhoria da praça. Para minha surpresa, vai virar estacionamento. A palavra que eu usaria para essa atitude é mediocridade”, afirmou.

A questão do estacionamento no Centro de Colatina é antiga e, segundo relatos, se agravou nos últimos meses. Irregularidades são frequentemente observadas, como carros estacionados em locais proibidos, motocicletas ocupando espaços de forma desordenada e a percepção de falta de fiscalização.

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Um comerciante da região central questiona a lógica da medida.
“O que eu não consigo entender é por que se retira o estacionamento rotativo e agora dizem que tudo vai melhorar com a volta dele. Parece contraditório”, pontua. Segundo ele, a desorganização no trânsito é visível no dia a dia. “Tem cadeiras reservando vagas, carros em locais de carga e descarga, motos amontoadas umas sobre as outras. A dúvida é: isso é apenas uma questão financeira ou falta gestão e fiscalização? Não existem órgãos para ao menos organizar essa situação?”, questiona.

Apesar das críticas, há também quem veja a decisão como necessária diante do cenário atual. Para um funcionário de uma loja de eletrodomésticos, a dificuldade em encontrar vagas é diária.
“Venho trabalhar e é muito complicado achar lugar para estacionar. Acho que é uma boa ideia, ainda mais em um local que hoje quase não é utilizado”, avaliou.

Outro morador destaca que, com a proximidade do Natal e por Colatina ser uma cidade polo, qualquer iniciativa para reduzir o caos no trânsito tende a ser bem recebida. “Com o aumento do movimento nesta época, qualquer medida que ajude a organizar o estacionamento é válida”, afirmou.

A história da Praça Sol Poente sempre foi marcada por debates. Desde a concepção do projeto original, ainda na gestão do então prefeito Dilo Binda, passando pelas discussões envolvendo a doação de áreas para a construção de instituições importantes para o município, como o Fórum — considerado um dos mais bem estruturados do Espírito Santo —, o espaço sempre esteve no centro das atenções da cidade.

Um parlamentar da época relembra que, apesar das divergências, havia um propósito coletivo nas discussões.
“Eram debates calorosos, com opiniões a favor e contra, mas existia algo saudável: a ideia de construir algo que melhorasse a vida da cidade. Hoje, ver esse espaço se tornar estacionamento é algo que ninguém imaginava”, concluiu.

A transformação da Praça Sol Poente mostra a necessidade de debater sobre planejamento urbano, preservação de espaços públicos e as prioridades da cidade, colocando em xeque o equilíbrio entre mobilidade, gestão do trânsito e a memória afetiva de um dos locais mais importantes de Colatina.

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