O desembargador capixaba Macário Ramos Júdice Neto, do Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF-2), foi preso nesta terça-feira (16) pela Polícia Federal durante a segunda fase da Operação Unha e Carne, que investiga o vazamento de informações sigilosas a integrantes do Comando Vermelho. O magistrado, que retornou à magistratura em 2023 após 18 anos de afastamento, é acusado de atuar para favorecer a facção criminosa.
Júdice Neto é o relator do processo que envolve o ex-deputado estadual Thiago Raimundo dos Santos, conhecido como TH Joias, preso por envolvimento com o Comando Vermelho. A prisão de Júdice Neto ocorre meses após a detenção de Rodrigo Bacellar, ex-presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), pelo mesmo esquema criminoso.
O afastamento do desembargador Macário Júdice Neto da magistratura teve início em 2005, quando foi alvo de denúncias do Ministério Público Federal (MPF) sobre sua participação em um esquema de venda de sentenças, relacionado à máfia dos caça-níqueis. Embora tenha sido absolvido do caso em 2015, ele permaneceu afastado devido a um processo administrativo disciplinar (PAD) relacionado ao mesmo tema.
Em 2022, após o julgamento do Procedimento Administrativo Disciplinar (PAD) pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ), o tribunal decidiu pela reintegração do magistrado, considerando que o prazo para julgamento havia sido extrapolado. No entanto, ainda havia uma decisão de afastamento por improbidade administrativa expedida pelo TRF-2. Em 2023, Júdice Neto foi promovido a desembargador federal, após ser escolhido por unanimidade pelo tribunal e indicado formalmente ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Prisão e implicações
Atualmente, o desembargador está preso na sede da Polícia Federal no Rio de Janeiro. Sua prisão é vinculada ao julgamento da ADPF nº 635/RJ (ADPF das Favelas), que determinou investigações sobre a atuação de grupos criminosos no Rio de Janeiro e suas conexões com agentes públicos, incluindo membros do judiciário. A venda de decisões judiciais e as conexões com facções criminosas, como o Comando Vermelho, são os principais focos da investigação.
Além disso, Flávia Júdice, esposa do magistrado, trabalhava no gabinete da diretoria-geral da Alerj até o início de novembro de 2023, quando a investigação sobre o ex-deputado TH Joias já estava em andamento.
A prisão de Macário Júdice Neto marca o desdobramento de um caso que envolve uma série de acusações de corrupção e tráfico de informações dentro do sistema judiciário e político fluminense, com repercussões para o Espírito Santo e para o Rio de Janeiro.















