O empresário e fotógrafo colatinense Canário Caliari faleceu na manhã desta terça-feira (6), aos 69 anos, no Hospital Português, onde estava internado desde dezembro. Considerado um dos maiores fotógrafos do Brasil, Canário enfrentava uma doença degenerativa progressiva rara e lutava contra o avanço da enfermidade desde pouco antes da pandemia.
Natural de Colatina, Canário construiu uma trajetória marcada pela sensibilidade artística, pelo olhar humano e pelo compromisso com causas sociais. Ao lado da esposa, a empresária Maria do Céu, foi um dos idealizadores e cofundadores do Club Metrópole, espaço que se tornou referência nacional na defesa da diversidade e dos direitos da comunidade LGBTQIA+. Em 2026, o clube completaria 24 anos de história.
Além de fotógrafo e empresário, Canário era formado em Filosofia e Direito, reunindo arte, pensamento crítico e ativismo em sua atuação profissional e pessoal. Seu trabalho fotográfico é reconhecido pelo apuro estético e pela capacidade de capturar emoções, histórias e identidades, projetando o nome de Colatina no cenário artístico nacional.
Ele deixa três filhos: Vitória, médica; Ângelo, artista plástico e estudante de Arquitetura; e Victor Hugo, diretor artístico do Club Metrópole.
Em nota publicada nas redes sociais, o Club Metrópole lamentou profundamente a perda do fundador. “Hoje nos despedimos de Canário Caliari. Canário foi parte essencial da Metrópole. Ao lado de Maria do Céu, ajudou a pensar, sonhar e construir cada pedaço desse espaço que acolhe, celebra e ama tantas pessoas. Tudo o que cresce aqui também carrega as mãos dele”, destacou o texto, lembrando ainda que cada planta e cada coqueiro do espaço foram plantados por Canário, simbolizando seu cuidado com o tempo e com a vida.
Maria do Céu também se despediu com uma mensagem emocionada. “Quero que você saiba que está tudo bem descansar. Você lutou com coragem, com dignidade, do seu jeito — e isso foi imenso. Nada do que vivemos se perde. Nossa história mora em mim”, escreveu. “Obrigada por ter sido meu companheiro, meu apoio, meu lar, por ter construído uma família linda que continuarei cuidando. Eu te amo. E esse amor não acaba aqui”, completou.
Amigos colatinenses que tiveram a oportunidade de conviver com Canário Caliari recordam que, mesmo não residindo mais em Colatina, ele manteve vínculos afetivos profundos com a cidade. Em passagens e visitas, Canário era visto em bairros como Vila Nova, Marista e Vila Lenira, onde tinha amigos e parentes, ocasiões em que surgiam encontros marcados por conversas longas, confraternizações e pela troca de ideias. Nesses momentos, deixava transparecer sua visão de mundo sensível e humanista, compartilhando experiências, reflexões e afetos que permanecem vivos na memória de quem teve o privilégio de estar ao seu lado.
O velório e a cerimônia de despedida acontecem nesta terça-feira (6), a partir das 20h, no Morada da Paz, em Recife. A morte de Canário Caliari deixa um vazio na arte brasileira, mas também um legado profundo de sensibilidade, inclusão e amor, que seguirá vivo em sua obra, em sua família e na memória de Colatina.














