Colatina se despediu, na tarde desta terça-feira (6), de Paulo Briel, 68 anos, uma das figuras mais queridas e emblemáticas da vida cotidiana do município. Proprietário da Banca do Briel, ele morreu após enfrentar uma longa batalha pela vida, deixando um vazio profundo na memória afetiva da cidade.
Por décadas, Paulo Briel atendeu milhares de colatinenses em seu comércio localizado na Praça Central, nas proximidades da Câmara Municipal de Colatina. Mais do que um ponto de venda de jornais e revistas, a banca se transformou em um verdadeiro ponto de encontro, onde notícias, conversas, opiniões e amizades se cruzavam diariamente.
Paulo fazia parte da paisagem urbana de Colatina. Era daqueles personagens que ajudavam a contar a história da cidade sem precisar escrever livros: bastava estar ali, presente, atento, sempre educadíssimo. Mesmo diante da transição do papel para o digital — que transformou profundamente o setor — ele resistiu, se adaptou e seguiu trabalhando, mantendo viva uma tradição que atravessou gerações.
Com simplicidade e constância, Paulo Briel se tornou símbolo de uma Colatina que aprendeu a se informar, debater e conviver ao redor de uma banca de revistas. Para muitos moradores, a banca não era apenas comércio, mas parte da rotina, da infância, da juventude e da vida adulta.
Segundo familiares, Paulo Briel foi internado para realizar uma cirurgia no coração, ocasião em que foi diagnosticado com câncer de pulmão. Desde então, vinha lutando com coragem contra a doença, em uma batalha silenciosa e prolongada.
Apaixonado por futebol, Paulo tinha como time do coração o Botafogo. A ligação com o clube era tamanha que, de acordo com a família, seu último desejo foi ser enterrado vestindo a camisa alvinegra, um gesto que simboliza sua personalidade simples, verdadeira e fiel às próprias paixões.
A morte de Paulo Briel é mais que a despedida de um comerciante: é a perda de um personagem da história viva de Colatina. Sua banca permanece na memória coletiva da cidade, assim como seu jeito discreto, sua presença constante e o papel que exerceu na construção do cotidiano colatinense.
Colatina perde um cidadão querido. A cidade, no entanto, guarda para sempre o legado de Paulo Briel — feito de trabalho, convivência e humanidade.














