Um morador de Colatina acompanha com expectativa os próximos passos de um estudo científico que pode representar um marco histórico no tratamento de lesões na medula espinhal. Acássio Gabriel Ferreira, que ficou paraplégico após sofrer um acidente de trabalho, tenta se habilitar como voluntário de uma pesquisa clínica que irá testar a polilaminina, substância recém-autorizada para estudos em humanos pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária.
Na manhã desta segunda-feira (5), a Anvisa anunciou a liberação da fase 1 da pesquisa clínica, após quase três anos de análises técnicas, solicitações de esclarecimentos e validações científicas. A substância apresentou resultados promissores em testes experimentais, demonstrando capacidade de regeneração de lesões na medula espinhal.
Os estudos vêm sendo conduzidos por um grupo de pesquisadores da Universidade Federal do Rio de Janeiro, sob a coordenação da bióloga Tatiana Coelho de Sampaio. Segundo os cientistas, os resultados obtidos até o momento indicam um avanço significativo em um campo historicamente marcado por limitações terapêuticas.
A pesquisa será patrocinada pelo Laboratório Cristália, que ficará responsável por selecionar, monitorar e acompanhar cinco voluntários nesta primeira etapa. Embora os critérios finais ainda não tenham sido oficialmente divulgados, a farmacêutica informou que os participantes deverão ser escolhidos, preferencialmente, nos estados do Rio de Janeiro, São Paulo e Espírito Santo.
É nesse cenário que surge a esperança de Acássio. O colatinense acompanha atentamente cada atualização sobre o estudo e busca uma oportunidade de integrar o grupo de voluntários. Para ele, a pesquisa representa não apenas a possibilidade de avanços pessoais, mas também uma perspectiva concreta de transformação na vida de milhares de brasileiros que convivem com a paraplegia.
Caso as três fases da pesquisa clínica sejam concluídas com sucesso, a polilaminina — produzida a partir de uma proteína extraída da placenta — poderá entrar em produção industrial. De acordo com os pesquisadores, já existem tratativas iniciais entre o laboratório e o Ministério da Saúde para que, se aprovada, a substância seja futuramente disponibilizada pelo Sistema Único de Saúde.
Enquanto a ciência avança em ritmo cauteloso, mas promissor, Acássio simboliza a esperança de quem aguarda por novas possibilidades de tratamento, mais autonomia e melhor qualidade de vida — não apenas em Colatina, mas em todo o país.















