Um estudo recente revelou que a ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda para rendimentos de até R$ 5 mil já começa a gerar impacto direto na economia de cidades do Norte e Noroeste do Espírito Santo. Apenas no Estado, cerca de 379 mil trabalhadores passaram a ser beneficiados pela medida, o que representa uma renda extra estimada em quase R$ 70 milhões circulando na economia capixaba.
A pesquisa foi elaborada pela consultoria 4Intelligence, que cruzou dados do Ministério do Trabalho e Emprego, da Justiça Eleitoral, da RAIS e do Novo Caged. O objetivo foi identificar o número de beneficiários da isenção, a distribuição geográfica e o perfil socioeconômico dos trabalhadores alcançados pela medida anunciada no início do terceiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Impacto direto no interior capixaba
Embora municípios da Grande Vitória concentrem os maiores valores absolutos, o estudo chama atenção para o peso proporcional da medida em cidades do interior, especialmente no Norte e Noroeste do Estado, onde a renda média é menor e o alívio no desconto do imposto representa maior fôlego financeiro para as famílias.
Entre os destaques da região:
Linhares: 19.548 trabalhadores beneficiados (R$ 3,56 milhões)
Colatina: 12.614 trabalhadores (R$ 2,39 milhões)
Aracruz: 15.163 trabalhadores (R$ 2,41 milhões)
Jaguaré: 1.435 trabalhadores (R$ 281 mil)
São Mateus (não incluso no estudo detalhado, mas parte da região beneficiada indiretamente)
Baixo Guandu: 1.885 trabalhadores (R$ 361,9 mil)
Barra de São Francisco: 3.172 trabalhadores (R$ 600,5 mil)
Montanha: 891 trabalhadores (R$ 162 mil)
Ecoporanga: 908 trabalhadores (R$ 169,8 mil)
Boa Esperança: 606 trabalhadores (R$ 122,1 mil)
Mantenópolis: 330 trabalhadores (R$ 53,8 mil)
Alto Rio Novo: 267 trabalhadores (R$ 43,5 mil)
Governador Lindenberg: 400 trabalhadores (R$ 73,1 mil)
Marilândia: 604 trabalhadores (R$ 114,7 mil)
João Neiva: 1.489 trabalhadores (R$ 256,8 mil)
Em muitos desses municípios, mais de 30% dos trabalhadores com carteira assinada passaram a ter algum tipo de ganho com a nova faixa de isenção, percentual considerado elevado pelos economistas.
Mais dinheiro girando no comércio local
Segundo o economista Bruno Imaizumi, da 4Intelligence, apesar de as grandes cidades concentrarem volumes maiores, é no interior que o efeito tende a ser mais perceptível no dia a dia.
“Nos municípios menores, essa renda extra tende a ir diretamente para o consumo básico, movimentando o comércio local e os serviços. É um recurso que circula rapidamente na economia dessas cidades”, explica.
Em âmbito nacional, o estudo estima que a medida pode beneficiar entre 17,9 milhões e 19,7 milhões de trabalhadores, reforçando o papel do Imposto de Renda como instrumento de redistribuição e estímulo econômico, sobretudo em regiões fora dos grandes centros urbanos.














