Primeira noite do Carnaval de Vitória 2026 leva cores, emoção e grandes enredos ao Sambão do Povo

Cinco escolas do Grupo Especial abriram os desfiles; elite do carnaval capixaba passa a contar com dez agremiações divididas em dois dias

A primeira noite de desfiles do Carnaval de Vitória 2026 aconteceu nesta sexta-feira (6) e transformou o Sambão do Povo em um espetáculo de cores, emoção e criatividade. Com enredos que mesclaram história, ancestralidade e fantasia, cinco escolas do Grupo Especial — a elite do carnaval capixaba — atravessaram a avenida e encantaram o público.

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O sinal verde para o início dos desfiles foi dado às 22h. A Pega no Samba abriu a noite, seguida por Novo Império, Unidos de Jucutuquara, Mocidade Unida da Glória (MUG) e Imperatriz do Forte, que fecharam a primeira etapa com alegorias grandiosas e apresentações marcadas por forte identidade cultural.

Uma das principais novidades deste ano é a ampliação do Grupo Especial, que passou de sete para dez escolas, agora divididas em dois dias de desfile. A mudança busca dar mais fluidez à programação e melhores condições logísticas para as agremiações, que a cada ano apresentam carros alegóricos maiores e mais elaborados.

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O segundo dia de desfiles acontece neste sábado (7), quando mais cinco escolas cruzam a passarela do samba: Rosas de Ouro, Unidos da Piedade, Independente de Boa Vista, Chegou o Que Faltava e Andaraí, prometendo manter o alto nível técnico e artístico da competição.

Outra alteração importante para 2026 foi a reestruturação do antigo Grupo de Acesso. Os Grupos A e B foram fundidos, dando origem à Série Ouro, que contará com nove escolas. Os desfiles da nova categoria estão programados para os dias 13 e 14 de fevereiro, já durante o período oficial do carnaval.

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Com a reconfiguração das ligas e o crescimento das alegorias, os espaços de concentração e dispersão do Sambão do Povo ficaram mais disputados, o que motivou as mudanças no formato.

NOVO IMPÉRIO

Novo Império desfila no Carnaval de Vitória — Foto: Ricardo Medeiros

Segunda agremiação da noite, a Novo Império, representante de Caratoíra e região, celebrou na avenida a força feminina e a ancestralidade, com o enredo “Aruanayê – Guardiãs dos mistérios ancestrais”, apresentando uma aliança entre xamãs africanas e guerreiras indígenas nas terras do Espírito Santo. Desfilaram 1.500 componentes, em 20 alas, além de três alegorias.

Diante de ameaças ao seu território, a união dessas guardiãs desperta uma tempestade mística que utiliza a força dos elementos naturais e dos espíritos animais para derrotar os opressores.

Através deste mito original, a narrativa ainda reafirmou a identidade da escola como uma “família imperial” forjada para lutar e vencer.

JUCUTUQUARA

Jucutuquara desfila no Carnaval de Vitória — Foto: Fernando Madeira

Com 1.400 componentes, em 19 alas e três alegorias, o enredo da escola de samba Jucutuquara, que representa o bairro de mesmo nome na capital, exalou Maria Padilha como símbolo de resistência feminina e ancestralidade afro-brasileira ao levar para o Sambão do Povo a história “Arreda Homem Que Aí Vem Mulher”.

Entidade cultuada nas tradições afro-brasileiras, Padilha foi apresentada como pombagira das encruzilhadas, dos caminhos e das passagens, força ancestral que atravessa tempos, territórios e imaginários, articulando espiritualidade, cultura popular e memória coletiva.

Ao longo do desfile, Maria Padilha se transformou, acompanhando as mudanças sociais e culturais sem perder sua essência, transformando o desfile em um manifesto sobre liberdade, fé e justiça social.

MUG

MUG desfila no Carnaval de Vitória — Foto: Fernando Madeira

Com o enredo ‘O Diário Verde de Teresa’, a Mocidade Unida da Glória (MUG), desfilou pelo Sambão do Povo celebrando a trajetória da princesa e cientista alemã Teresa da Baviera, que, durante expedição feita ao Espírito Santo em 1888, catalogou em seu diário a biodiversidade e os povos originários locais.

Ao longo do desfile, o público testemunhou a relação de Teresa com a fauna exuberante e os Botocudos, sendo absorvida por sua cultura e sabedoria, e viu ela receber visões de um futuro sombrio para a floresta, marcado por queimadas e secas, após um transe ritualístico.

Ao final, o enredo concluiu que o legado de Teresa serve como uma semente para a posteridade, conectando passado e presente em um alerta sobre a preservação ambiental. Desfilaram pela escola, 1.300 componentes, 20 alas e três carros alegóricos.

IMPERATRIZ DO FORTE

Imperatriz do Forte desfila no Carnaval de Vitória — Foto: Fernando Madeira

Fechando a primeira noite de desfiles, a Imperatriz do Forte, da comunidade do Forte São João, na capital, apresentou no desfile 2026 e enredo ‘Xirê: Festejo às Raízes’, e propôs uma celebração à cultura afro-brasileira sob uma perspectiva decolonial.

Em vez de reforçar imagens de dor e violência historicamente associadas à diáspora africana, a escola escolheu destacar o xirê e a roda como expressões do sagrado em movimento, espaços de memória, saber e resistência.

A escola desfilou com 1.300 componentes, divididos em 20 alas, além de quatro elementos alegóricos. A escola reafirmou na avenida seu compromisso com a educação cultural, a valorização das raízes afro-brasileiras e a construção de um carnaval que celebra a vida.

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