Segunda noite do Grupo Especial tem desfile marcado por falha elétrica no Sambão do Povo

Problema no fornecimento de energia interrompeu apresentação da Unidos da Piedade por cerca de 40 minutos; organização garante que escola não será prejudicada

A segunda noite de desfiles do Grupo Especial do Carnaval de Vitória 2026 aconteceu neste sábado (7) e levou novamente emoção e grandes enredos ao Sambão do Povo. O sinal verde foi acionado às 22h, dando início à passagem das escolas Rosas de Ouro, Unidos da Piedade, Independente de Boa Vista, Chegou o Que Faltava e Andaraí pela avenida.

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Durante o desfile da Unidos da Piedade, a programação foi interrompida por uma falha no fornecimento de energia elétrica, que afetou o sistema de som do sambódromo. A escola ficou cerca de 40 minutos parada na avenida, enquanto o problema era solucionado.

Diante da situação, o cronômetro oficial do desfile foi pausado e retomado somente após a normalização do sistema. Em nota, a Liga das Escolas de Samba do Grupo Especial informou que a falha teve origem em um problema elétrico no entorno do sambódromo e garantiu que a Unidos da Piedade não será prejudicada na avaliação.

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A organização do evento também esclareceu que o bairro onde está localizado o Sambão do Povo enfrentou instabilidade no fornecimento de energia, impactando diretamente a sonorização. Após a resolução, a escola retomou o desfile, que ocorreu dentro do tempo regulamentar.

Na noite anterior, sexta-feira (6), abriram os desfiles do Grupo Especial as escolas Pega no Samba, Novo Império, Unidos de Jucutuquara, Mocidade Unida da Glória (MUG) e Imperatriz do Forte, marcando a estreia do novo formato com dois dias de apresentações.

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Os enredos da segunda noite levaram ao público homenagens à história das escolas e de suas comunidades, além de narrativas de ancestralidade e referências culturais, incluindo uma viagem simbólica por uma cidade do Norte capixaba.

Agora, as dez escolas do Grupo Especial aguardam a apuração, que definirá a campeã do Carnaval capixaba. A leitura das notas está marcada para a próxima quarta-feira (11), no Sambão do Povo, a partir das 16h.

Em 2026, o Grupo Especial passou de sete para dez agremiações, divididas em dois dias de desfile. Já o antigo Grupo de Acesso, que contava com os Grupos A e B, foi reestruturado e deu origem à Série Ouro, com nove escolas, cujos desfiles estão previstos para os dias 13 e 14 de fevereiro, já durante o período oficial do carnaval.

ROSAS DE OURO

Rosas de Ouro desfila no Carnaval de Vitória — Foto: Carlos Alberto Silva

Com o enredo ‘Cricaré das Origens – Brasil que nasce em São Mateus’, a Rosas de Ouro, agremiação de Serra Dourada e região, apresentou a cidade do Norte capixaba, a segunda mais antiga do Brasil, como o berço da formação da identidade nacional, onde o tempo não é linear, mas “gira, dança, sangra e resiste”. Desfilaram 1.400 componentes, em 22 alas e três alegorias.

O Rio Cricaré assumiu o papel de personagem central e testemunha viva dessa história. O desfile exaltou ainda a resistência negra e indígena contra a escravização, destacando as figuras históricas de Zacimba Gaba e Benedito Meia-Légua como símbolos fundamentais de enfrentamento e luta por liberdade.

Essa trajetória de “esperança e suor” de quem veio de além-mar reinventou a cidade como um espaço de encontro cultural, onde o legado dos antepassados permanece vivo em manifestações como o congo, o jongo e a vida em quilombos. Ao final, o desfile celebrou a riqueza natural e a alma poética do povo mateense.

UNIDOS DA PIEDADE

Unidos da Piedade desfila no Carnaval de Vitória 2026 — Foto: Carlos Alberto Silva

‘O Canto Livre de Papo Furado’ levou para avenida uma homenagem a um dos maiores baluartes e intérpretes da história da escola mais antiga do Espírito Santo, Edson Papo Furado. A Unidos da Piedade desfilou com 1.900 componentes, 23 alas e três alegorias.

A escola apresentou o sambista como o ‘Anjo Preto’ e sua jornada musical mergulhada nas raízes dos morros da Piedade e Fonte Grande, desde as brincadeiras de infância. A trama percorreu ainda a boemia de Vitória, especialmente na Rua Sete, onde o homenageado transformava os bares em seus altares e o violão em seu instrumento de oração.

A trajetória do homenageado se mistura a da escola, uma vez que sua voz capitaneou a conquista de 14 títulos ao longo das décadas. O desfile terminou com Papo Furado sendo coroado ‘Griot da Resistência’.

INDENPENDENTE DE BOA VISTA

Boa Vista desfila no Carnaval de Vitória 2026 — Foto: Vitor Jubini

Última campeã do Carnaval de Vitória, a Independente de Boa Vista entrou no Sambão do Povo para celebrar os 50 anos da agremiação com o enredo ‘João do Congo – A Voz que Dança nas Folhas da Resistência’, exaltando o Congo como uma das matrizes mais profundas da identidade capixaba.

Com 19 alas e três alegorias, João Bananeira conduziu o desfile como símbolo de liberdade e resistência, surgindo das matas coberto de folhas para transformar a rua em espaço de expressão política e cultural.

A apresentação percorreu as raízes africanas e ameríndias dessa tradição, destacando a região de Roda D’Água. E ainda ressaltou o papel dos tambores e das casacas como instrumentos de memória e identidade.

CHEGOU O QUE FALTAVA

Chegou o Que Faltava desfila no Carnaval de Vitória 2026 — Foto: Vitor Jubini

A representante de Goiabeiras, em Vitória, Chegou o Que Faltava, levou para a avenida o enredo “Orí – Sua cabeça é seu guia”, abordando uma crença iorubá ao celebrar a cabeça como a principal divindade e guia do ser humano.

Mais do que um elemento biológico, o Orí é apresentado como guia interior, guardião da memória e da intuição, e como uma assinatura única que diferencia cada ser humano.

A trama também valoriza o Orí Iranti, responsável por preservar a memória ancestral e a história de resistência de figuras como Zacimba Gaba e Mãe Constância d’Angola. Ao conectar esse legado à comunidade de Goiabeiras, a escola reflete sobre saúde integral, caráter e ancestralidade. Passaram pela avenida 1.400 componentes, em 21 alas e três alegorias.

ANDARAÍ

Andaraí desfila no Carnaval de Vitória 2026 — Foto: Vitor Jubini

Fechando os desfiles do Grupo Especial, o enredo “01/12/1946” levou uma verdadeira festa para o Sambão do Povo ao celebrar a trajetória da escola, mais antiga em atividade no Espírito Santo.

O desfile revisitou a história da agremiação de Santa Martha, destacando suas raízes no futebol de várzea e na formação da primeira batucada, o grupo Puro Veneno. A escola passou pela avenida com 19 alas e três alegorias.

O enredo percorreu momentos de glória, silêncio e retomada, reforçando o samba como expressão de resistência e pertencimento comunitário. A trama também abordou a consolidação da identidade verde e rosa, marcada pelo batismo da Mangueira em 1975.

ES FALA: informação e imagens A Gazeta

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