Queda no preço do cacau e importações preocupam produtores; Prefeitura de Linhares articula comissão

Município, que responde por cerca de 80% da produção capixaba, debate riscos sanitários e impactos econômicos da importação de amêndoas

A queda no preço do cacau e as preocupações com a importação do produto mobilizaram produtores rurais e o poder público em Linhares, maior produtor da fruta no Espírito Santo. Na manhã desta quarta-feira (11), o prefeito Lucas Scaramussa e o vice-prefeito e secretário municipal de Desenvolvimento Econômico, Franco Fiorot, se reuniram com representantes da Associação dos Cacauicultores do Espírito Santo (Acau), do Sindicato Rural de Linhares e produtores locais para discutir o cenário.

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O encontro dá continuidade às tratativas iniciadas na semana passada, quando representantes do setor estiveram na Federação da Agricultura e Pecuária do Estado do Espírito Santo (FAES). A mobilização ocorre em um momento considerado sensível: Linhares responde por aproximadamente 80% da produção estadual, e o Espírito Santo ocupa a terceira posição no ranking nacional de produção de cacau.

Importação e risco sanitário entram na pauta

Entre os principais pontos debatidos está a Instrução Normativa nº 125/2021, do Ministério da Agricultura, que revogou a exigência de tratamento fitossanitário com brometo de metila para a importação de amêndoas de cacau da Costa do Marfim.

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Segundo representantes do setor produtivo, a flexibilização amplia o risco de entrada de pragas e doenças exóticas, capazes de comprometer não apenas o cacau, mas também outras culturas agrícolas. A lembrança da “vassoura-de-bruxa”, que no passado devastou lavouras, voltou a ser citada como alerta.

Produtores defendem a suspensão das importações, argumentando que o Brasil é autossuficiente e que a entrada do produto estrangeiro, além de pressionar os preços internos, pode trazer riscos sanitários.

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Preço em queda preocupa pequenos produtores

Além da questão fitossanitária, o mercado enfrenta um momento de excesso de oferta e redução nos valores pagos ao produtor.

“O pequeno produtor é o mais afetado, pois muitas vezes depende exclusivamente do cacau como fonte de renda”, afirmou o prefeito Lucas Scaramussa. Ele anunciou a criação de uma comissão para organizar as demandas do setor, acompanhar o mercado e articular medidas junto aos governos estadual e federal.

A comissão deverá reunir representantes dos municípios produtores, do governo estadual e das entidades do setor produtivo, com o objetivo de propor medidas de curto e médio prazo.

Defesa da produção capixaba

A presidente da Acau, Kellen Scampini, destacou que Linhares e o Espírito Santo construíram reputação nacional e internacional como fornecedores seguros e competitivos.

Já o presidente do Sindicato Rural de Linhares, Antonio Roberte Bourguignon, alertou para a necessidade de revisão da legislação. Segundo ele, importar sem controle adequado pode colocar em risco toda a cadeia produtiva e afetar a competitividade do produtor local.

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