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Votação comunitária não impede mudança: gestão Renzo altera escola do campo em Colatina

Ata oficial mostra que maioria votou pela manutenção da Pedagogia da Alternância, mas gestão municipal encaminhou projeto alterando estrutura da unidade

Por ES Fala
· 2 min de leitura · Sem comentários
Votação comunitária não impede mudança: gestão Renzo altera escola do campo em Colatina

A mudança na estrutura da EMCOR Padre Fulgêncio do Menino Jesus, no distrito de Ângelo Frechiani, transformou-se em um embate político e educacional em Colatina. Documentos oficiais revelam que, mesmo após assembleia comunitária votar pela manutenção da Pedagogia da Alternância, a Prefeitura encaminhou projeto de lei alterando a denominação e a natureza da escola.

O Projeto de Lei enviado pelo prefeito Renzo Vasconcelos revoga a legislação anterior que estruturava a Escola Municipal Comunitária Rural (EMCOR) e a transforma em Escola Municipal de Educação Infantil e Ensino Fundamental. A proposta tramita em regime de urgência especial na Câmara Municipal de Colatina.

O texto justifica a alteração como adequação à metodologia de ensino, com base em resolução do Conselho Estadual de Educação, e prevê inclusive efeito retroativo à data de início do ano letivo.

Assembleia registrou maioria pela manutenção

No entanto, ata da assembleia realizada no dia 30 de janeiro de 2026 aponta outro cenário. Durante a reunião, pais, professores, representantes da Secretaria Municipal de Educação e membros da comunidade debateram a continuidade da Pedagogia da Alternância.

Ao final, foi realizada votação aberta:

  • 26 votos favoráveis à manutenção da Alternância
  • 13 votos contrários

Ou seja, a maioria dos presentes manifestou apoio à continuidade do modelo de Educação do Campo.

Apesar disso, o projeto de alteração estrutural foi encaminhado posteriormente.

Comunidade denuncia imposição

O Comitê Municipal de Educação do Campo divulgou nota pública acusando a gestão municipal de desrespeitar decisões comunitárias e de agir de forma unilateral. O documento fala em “ataque à Educação do Campo” e critica o que chama de enfraquecimento da pedagogia construída historicamente nas comunidades rurais.

Entre os argumentos apresentados por pais que defendem a mudança estão alegações de baixo rendimento escolar e insatisfação com a metodologia. Já os defensores da Alternância afirmam que a fragilidade estaria na execução pedagógica, e não no modelo em si.

Debate vai além da nomenclatura

Embora o projeto trate formalmente de mudança de denominação, a revogação integral da lei anterior e a possível descaracterização da EMCOR indicam alteração estrutural significativa.

A questão central que permanece é: se a assembleia registrou maioria favorável à manutenção da Alternância, por qual motivo a estrutura da escola está sendo modificada?

O caso expõe um debate sensível sobre autonomia das comunidades rurais, gestão democrática da educação e o futuro da Educação do Campo em Colatina.

A reportagem deixa o espaço aberto para que a Prefeitura e a Secretaria Municipal de Educação esclareçam se a decisão administrativa considerou formalmente o resultado da assembleia registrada em ata.

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