Votação comunitária não impede mudança: gestão Renzo altera escola do campo em Colatina

Ata oficial mostra que maioria votou pela manutenção da Pedagogia da Alternância, mas gestão municipal encaminhou projeto alterando estrutura da unidade

A mudança na estrutura da EMCOR Padre Fulgêncio do Menino Jesus, no distrito de Ângelo Frechiani, transformou-se em um embate político e educacional em Colatina. Documentos oficiais revelam que, mesmo após assembleia comunitária votar pela manutenção da Pedagogia da Alternância, a Prefeitura encaminhou projeto de lei alterando a denominação e a natureza da escola.

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O Projeto de Lei enviado pelo prefeito Renzo Vasconcelos revoga a legislação anterior que estruturava a Escola Municipal Comunitária Rural (EMCOR) e a transforma em Escola Municipal de Educação Infantil e Ensino Fundamental. A proposta tramita em regime de urgência especial na Câmara Municipal de Colatina.

O texto justifica a alteração como adequação à metodologia de ensino, com base em resolução do Conselho Estadual de Educação, e prevê inclusive efeito retroativo à data de início do ano letivo.

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Assembleia registrou maioria pela manutenção

No entanto, ata da assembleia realizada no dia 30 de janeiro de 2026 aponta outro cenário. Durante a reunião, pais, professores, representantes da Secretaria Municipal de Educação e membros da comunidade debateram a continuidade da Pedagogia da Alternância.

Ao final, foi realizada votação aberta:

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  • 26 votos favoráveis à manutenção da Alternância
  • 13 votos contrários

Ou seja, a maioria dos presentes manifestou apoio à continuidade do modelo de Educação do Campo.

Apesar disso, o projeto de alteração estrutural foi encaminhado posteriormente.

Comunidade denuncia imposição

O Comitê Municipal de Educação do Campo divulgou nota pública acusando a gestão municipal de desrespeitar decisões comunitárias e de agir de forma unilateral. O documento fala em “ataque à Educação do Campo” e critica o que chama de enfraquecimento da pedagogia construída historicamente nas comunidades rurais.

Entre os argumentos apresentados por pais que defendem a mudança estão alegações de baixo rendimento escolar e insatisfação com a metodologia. Já os defensores da Alternância afirmam que a fragilidade estaria na execução pedagógica, e não no modelo em si.

Debate vai além da nomenclatura

Embora o projeto trate formalmente de mudança de denominação, a revogação integral da lei anterior e a possível descaracterização da EMCOR indicam alteração estrutural significativa.

A questão central que permanece é: se a assembleia registrou maioria favorável à manutenção da Alternância, por qual motivo a estrutura da escola está sendo modificada?

O caso expõe um debate sensível sobre autonomia das comunidades rurais, gestão democrática da educação e o futuro da Educação do Campo em Colatina.

A reportagem deixa o espaço aberto para que a Prefeitura e a Secretaria Municipal de Educação esclareçam se a decisão administrativa considerou formalmente o resultado da assembleia registrada em ata.

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