A escalada do conflito no Oriente Médio já começa a provocar reflexos diretos na economia do Espírito Santo. A alta no preço do petróleo, impulsionada pela guerra envolvendo Irã, Estados Unidos e Israel, está encarecendo insumos básicos e acendendo o alerta para possíveis impactos mais amplos nos próximos meses.
Embora o aumento nos combustíveis seja o efeito mais visível, especialistas apontam que o problema vai muito além. A indústria do plástico, por exemplo, já sente fortemente os efeitos da crise, já que depende diretamente da nafta — derivado do petróleo essencial para a produção de materiais como polietileno, PVC e polipropileno.
Segundo Leo de Castro, ex-presidente da Findes e vice-presidente da Confederação Nacional da Indústria, o cenário é preocupante e reúne diversos fatores negativos ao mesmo tempo.
“Os insumos estão mais caros na origem, o frete subiu e há casos de falta de produto. A guerra desorganizou a cadeia global. Vejo um cenário de encarecimento e até escassez”, afirmou.
Os números já demonstram a dimensão do problema. Desde o início do conflito até o fim de março, os preços das resinas plásticas dispararam em várias partes do mundo: alta de 46% na Ásia, 50,3% nos Estados Unidos e 61% na Europa.
Além do aumento, outro fator preocupa: a queda na oferta. Mesmo com preços elevados, a matéria-prima não está chegando ao Brasil em quantidade suficiente, o que pode comprometer a produção industrial.
O impacto já atinge também o setor de rochas, um dos pilares da economia capixaba, que movimenta mais de R$ 15 bilhões por ano. A produção depende diretamente de resinas, que também estão em forte alta.
De acordo com Felipe Mota, gerente comercial da Geofin América, o aumento já chega a cerca de 50% em alguns insumos, além de oscilações constantes no mercado.
“Os preços estão mudando diariamente. Existe muita especulação e já trabalhamos com a possibilidade de faltar produto. As empresas ainda têm estoque, mas isso pode acabar rapidamente”, alertou.
Especialistas avaliam que, mesmo que o conflito seja encerrado no curto prazo, os efeitos devem persistir por meses. A estimativa é de que o mercado leve cerca de 120 dias para começar a se reequilibrar — o que indica um ano inteiro ainda sob impacto da crise internacional.
Com isso, a tendência é de que os aumentos se espalhem por diversos setores, chegando ao consumidor final em forma de produtos mais caros e possível redução na oferta.














