Crianças da zona rural de Pancas estão enfrentando dificuldades para frequentar a escola devido às condições precárias das estradas em comunidades do município. Em alguns casos, alunos chegaram a ficar mais de 20 dias sem aula desde o início do período letivo.
A situação atinge moradores das regiões de Córrego Rio Pancas e Córrego Alcino, onde o transporte escolar não consegue acessar as localidades. Segundo relatos de pais, os problemas nas vias se agravaram nos últimos meses, impedindo a circulação até mesmo em dias sem chuva.
Uma das mães afetadas, Diana Vicente, conta que a filha, de apenas 6 anos, está em fase de alfabetização e teve a rotina escolar comprometida. “Tem criança que só foi para a escola um dia desde que começaram as aulas”, relata.
De acordo com estimativa da Secretaria de Estado da Educação, cerca de 100 alunos da Escola Estadual de Ensino Fundamental e Médio Sebastiana Grilo foram prejudicados nos últimos 20 dias. Além disso, estudantes da EMEF Robertson Schuaith, de responsabilidade do município, também são impactados.
Problema antigo e sem solução
Moradores afirmam que a situação das estradas não é recente e se arrasta há cerca de uma década. No entanto, segundo eles, o problema se agravou neste ano devido à falta de manutenção, que não ocorre há meses.
Mesmo quando não chove, o transporte escolar enfrenta dificuldades para trafegar. “Tem buracos muito fundos e a água parada forma valetas. O ônibus não passa porque pode até perder o para-choque”, explica Diana.
Diante da falta de solução por parte do poder público, mães da região procuraram o Ministério Público do Espírito Santo no último dia 8, em busca de providências.
Moradores tentam resolver por conta própria
Sem resposta imediata, moradores chegaram a agir por conta própria para tentar amenizar o problema. Em alguns trechos, foi utilizada uma máquina para melhorar as condições da estrada, o que permitiu o retorno temporário de parte dos alunos às aulas.
No entanto, a solução não durou. Após uma nova chuva, o acesso voltou a ser prejudicado, obrigando novamente as crianças a permanecerem em casa.
Outra moradora, Maria da Penha Bondes, relata que a filha, de 10 anos, também ficou mais de duas semanas sem frequentar a escola. “A estrada está completamente abandonada. Falta cascalhamento, aterramento… são muitos pontos críticos”, afirma.
A dificuldade de acesso varia de acordo com o local onde cada aluno mora, o que faz com que alguns consigam ir à escola em determinados dias, enquanto outros permanecem sem aulas por períodos ainda maiores.
Para os moradores, intervenções emergenciais poderiam minimizar o problema. “Se tapar os buracos mais fundos e consertar o bueiro, já melhora muito o acesso dos nossos filhos”, reforça Diana.
A Secretaria de Estado da Educação informou que acompanha a situação do transporte escolar nas áreas rurais de Pancas e destacou que mantém diálogo com o município para buscar soluções que garantam o acesso dos estudantes às escolas. A pasta também afirmou que as unidades de ensino têm adotado estratégias para recompor o aprendizado dos alunos prejudicados.
ES FALA: informação A Gazeta















