Ainda antes do amanhecer, por volta das 5h da manhã, centenas de moradores de Baixo Guandu já estão em movimento rumo às lavouras de café espalhadas pelo interior do município e cidades vizinhas. Neste período de colheita, pelo menos 300 trabalhadores temporários saem diariamente da cidade em busca de renda nas propriedades rurais da região.
Mesmo com a forte queda no preço do café nos últimos meses, a colheita segue sendo uma importante alternativa financeira para muitas famílias. Atualmente, a saca do café conilon é comercializada entre R$ 800 e R$ 900, enquanto o arábica gira em torno de R$ 1.600 a saca pilada de 60 quilos.
A redução no valor pago pelo produto também impactou diretamente o trabalhador rural temporário. Neste ano, o pagamento pela colheita varia entre R$ 30 e R$ 40 por saco colhido, dependendo da lavoura.
“No ano passado, com a saca do conilon chegando perto de R$ 2 mil, o produtor pagava entre R$ 50 e R$ 60 por saco colhido, mas o preço caiu muito em 12 meses”, relatou um trabalhador de 45 anos que atua em propriedades da região do Córrego do Lage.
Apesar da queda nos valores, muitos trabalhadores ainda consideram a atividade vantajosa. A colheita do café na região de Baixo Guandu ocorre entre maio e setembro e movimenta a economia local durante vários meses.
“Dá para garantir um dinheirinho até bom, mas é muito cansativo também. Mesmo assim, ainda é melhor do que outros serviços braçais”, comentou o trabalhador.
Renda ajuda famílias após perda de auxílio
A renda obtida na colheita chega em um momento considerado importante para muitas famílias do município, principalmente após centenas de moradores perderem o Auxílio Financeiro Emergencial, benefício que durante cerca de dez anos atendeu mais de mil famílias em Baixo Guandu.
Com produtividade média de 10 sacos por dia, trabalhando de segunda a sexta-feira, alguns trabalhadores conseguem faturar entre R$ 2 mil e R$ 2,5 mil por semana. No fim do mês, os ganhos podem se aproximar de R$ 10 mil durante o pico da safra.
O deslocamento até as propriedades rurais, porém, normalmente fica por conta do próprio trabalhador, que em muitos casos utiliza motocicleta para chegar às lavouras.
Produtores também reclamam da queda nos preços
Do outro lado, os produtores rurais também demonstram preocupação com o cenário atual do mercado cafeeiro. Em 2025, o café conilon chegou a ser vendido próximo dos R$ 2 mil a saca em regiões produtoras do Espírito Santo. Agora, os valores praticamente caíram pela metade.
Segundo especialistas do setor, a redução nos preços internacionais está ligada principalmente à recuperação das lavouras do Vietnã, um dos maiores produtores mundiais de café, além da expectativa de safra recorde no Brasil.
“O café sempre foi assim. Temos tempos bons e ruins, mas continua sendo a melhor alternativa de renda no meio rural do Espírito Santo”, afirmou o produtor Lauro Menezes.















