As recentes denúncias envolvendo o senador Flávio Bolsonaro e o empresário Daniel Vorcaro, investigado no caso envolvendo o Banco Master, passaram a repercutir também no cenário político do Espírito Santo e colocaram novos desafios para as articulações da direita no Estado.
O assunto atinge diretamente o ex-prefeito de Vitória, Lorenzo Pazolini, apontado como pré-candidato ao governo estadual pelo Republicanos.
Embora Pazolini tenha forte identificação com setores bolsonaristas, aliados avaliam que uma eventual aliança com o Partido Liberal pode ganhar maior desgaste político após os desdobramentos envolvendo Flávio Bolsonaro.
A aproximação entre Pazolini e o bolsonarismo vem desde o período em que atuava como deputado estadual. Em 2020, durante a pandemia, ele liderou uma comitiva para fiscalizar o Hospital Estadual Dório Silva, em uma ação alinhada ao discurso adotado pelo então presidente Jair Bolsonaro.
O ex-prefeito também manifestou apoio à anistia dos envolvidos nos atos de 8 de janeiro de 2023 e comemorou publicamente a derrubada do veto presidencial ao chamado “PL da Dosimetria”, relacionado à redução de penas dos condenados pelos atos golpistas.
Apesar disso, Pazolini também tenta manter uma imagem de gestor moderado e pragmático. Um dos exemplos citados nos bastidores políticos foi a condução da chamada “Lei Anti-Oruam”, aprovada em Vitória em 2025. Embora tenha apoiado a proposta, o então prefeito evitou participar do ato político ligado à sanção da medida e acabou deixando a promulgação da norma sob responsabilidade da Câmara Municipal.
Outro fator observado nos bastidores é a relação política de Pazolini com o ex-governador Paulo Hartung, nome historicamente distante do bolsonarismo.
Caso a aliança entre Republicanos, PL e PSD seja oficializada, Pazolini deverá abrir espaço no palanque capixaba para Flávio Bolsonaro, que agora enfrenta desgaste político após o caso Banco Master ganhar repercussão nacional.
Do outro lado do cenário político estadual aparece o governador Ricardo Ferraço, do MDB, que representa a continuidade da gestão de Renato Casagrande e mantém apoio de uma frente ampla de partidos.
Enquanto isso, as negociações da direita capixaba seguem em andamento. Nesta semana, o senador Magno Malta, presidente estadual do PL, desacelerou as especulações sobre o anúncio imediato da aliança entre PL, Republicanos e PSD, embora interlocutores considerem o acordo próximo.
Um dos principais entraves das conversas estaria na disputa pelas vagas ao Senado Federal. Pelo PL, o nome defendido é o de Maguinha Malta, filha de Magno Malta. Já no Republicanos, os nomes de Evair de Melo e Carlos Manato também aparecem como possíveis candidatos.
No PSD, o deputado Sergio Meneguelli segue colocado como pré-candidato ao Senado.
Outro ponto observado nos bastidores é que o PSD nacional já lançou como pré-candidato à Presidência da República o ex-governador de Goiás, Ronaldo Caiado, que recentemente fez críticas públicas a Flávio Bolsonaro após a repercussão das denúncias envolvendo o Banco Master.
Com isso, as articulações políticas no campo da direita capixaba seguem cercadas de indefinições e negociações para a composição das chapas das eleições deste ano.











