A leitora Débora de Assis Mendonça entrou em contato com a redação do Portal de Notícias ES FALA com uma dúvida que interessa a milhares de brasileiros que enfrentam a luta contra o câncer: uma nova terapia que apresentou resposta positiva em 87,5% dos pacientes poderá ser oferecida pelo Sistema Único de Saúde (SUS)?
A pergunta surgiu após a divulgação dos resultados preliminares da terapia CAR-T Cell, considerada uma das mais avançadas tecnologias da medicina de precisão para o tratamento de cânceres hematológicos, como leucemia e linfoma. Desenvolvida no Brasil por meio de uma parceria entre o Ministério da Saúde, o Hemocentro de Ribeirão Preto, a Universidade de São Paulo (USP) e o Instituto Butantan, a terapia vem apresentando resultados animadores em pacientes que já haviam esgotado outras possibilidades de tratamento.
Uma terapia considerada uma das mais avançadas no combate aos cânceres hematológicos poderá, futuramente, ser oferecida pelo Sistema Único de Saúde (SUS). A expectativa ganhou força após a divulgação de resultados preliminares do estudo brasileiro da terapia CAR-T Cell, que apresentou resposta positiva em mais de 87% dos pacientes tratados até o momento.
Os dados foram apresentados pelo ministro da Saúde, Alexandre Padilha, que destacou o potencial da tecnologia para pacientes com leucemia e linfoma que já haviam esgotado outras opções terapêuticas. Apesar dos resultados promissores, o ministro ressaltou que a pesquisa ainda está em andamento e que novos participantes continuarão sendo incluídos e acompanhados.
A terapia CAR-T Cell é uma forma avançada de imunoterapia que utiliza as próprias células de defesa do paciente para combater o câncer. Inicialmente, os linfócitos T são coletados e enviados para laboratório, onde passam por modificações genéticas para reconhecer e atacar as células cancerígenas. Posteriormente, essas células são reinfundidas no organismo do paciente.
O estudo é desenvolvido por meio de uma parceria entre o Ministério da Saúde, o Hemocentro de Ribeirão Preto, a Universidade de São Paulo (USP) e o Instituto Butantan.
Segundo o Ministério da Saúde, o projeto prevê a aplicação da terapia em 81 pacientes até o final deste ano. Atualmente, 75 pessoas já estão cadastradas e 25 receberam o tratamento. Todos os participantes são acompanhados por um período mínimo de um ano para avaliação da segurança e da eficácia da terapia.
Os pacientes atendidos pelo estudo possuem Linfoma Não-Hodgkin B ou Leucemia Linfoide Aguda B, considerados entre os tipos mais agressivos de câncer do sangue. Em muitos casos, os resultados indicaram redução significativa dos tumores e, em alguns pacientes, desaparecimento completo dos sinais da doença.
Outro aspecto que chama atenção é o custo do tratamento. Atualmente, terapias semelhantes disponíveis no exterior podem custar cerca de 2,5 milhões de dólares por paciente. A produção nacional da CAR-T Cell poderá reduzir significativamente esse valor e ampliar o acesso dos brasileiros a uma tecnologia que hoje está entre as mais sofisticadas da medicina de precisão.
Para que a terapia seja incorporada ao SUS, os estudos precisam ser concluídos e os resultados analisados pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). A expectativa do Ministério da Saúde é que o processo regulatório seja finalizado entre um ano e um ano e meio.
Fique por dentro
O que é a terapia CAR-T Cell?
A CAR-T Cell é um tratamento inovador que utiliza as próprias células de defesa do paciente para combater o câncer. Após serem coletadas, as células passam por uma modificação genética em laboratório e são reintroduzidas no organismo para identificar e destruir as células tumorais. Todo o processo leva, em média, 60 dias.
Quais foram os resultados?
Os dados preliminares apontam uma taxa de resposta de 87,5% entre os pacientes tratados. Muitos apresentaram redução expressiva dos tumores e alguns tiveram remissão completa da doença.
Quando poderá estar disponível no SUS?
Ainda não há uma data definida. O estudo segue em andamento e os pacientes precisam ser acompanhados por pelo menos um ano. Após essa etapa, a Anvisa avaliará os resultados para decidir sobre a possível aprovação e incorporação da terapia ao SUS.











