A Fundação Nacional de Saúde (Funasa) deu início a uma nova etapa do monitoramento da qualidade da água para consumo humano nos municípios impactados pelo rompimento da barragem de Fundão, em Mariana (MG). A ação faz parte da campanha Funasa Presente no Rio Doce e integra as medidas previstas no Novo Acordo do Rio Doce.
O lançamento da segunda fase da campanha ocorreu em Governador Valadares (MG), reunindo gestores, técnicos da Funasa e instituições parceiras responsáveis pelas ações de monitoramento ao longo da bacia hidrográfica.
Segundo o diretor do Departamento de Saúde Ambiental (Desam) da Funasa, Raphael Rolim, equipes de diferentes regiões do país foram mobilizadas para atuar diretamente nos municípios atingidos.
“A Funasa organizou equipes do Brasil inteiro para vir até aqui, na região da Bacia do Rio Doce, e realizar esse trabalho. O intuito é conversar com todo mundo e alinhar o trabalho para começar imediatamente essas coletas”, explicou.
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Crédito redes sociais
Trabalho será realizado durante três anos
A nova etapa dá continuidade às ações iniciadas em maio deste ano, quando a Funasa realizou uma ampla operação de coleta e análise da água em 32 municípios da Bacia do Rio Doce afetados pela tragédia ambiental de 2015.
O projeto foi estruturado para ser executado ao longo de 36 meses e está dividido em três fases. A primeira etapa terá duração de três meses e prevê coletas em pelo menos 109 pontos de monitoramento. Em seguida, haverá uma fase de expansão, com ampliação gradual das análises por até 18 meses.
A etapa final será voltada à consolidação dos dados, com a manutenção dos pontos de coleta e a formação de um banco de informações sobre a qualidade da água na região.
“A ideia é passar os próximos anos fazendo esse levantamento aqui, para dar um diagnóstico correto à sociedade de como está a água para consumo humano na Bacia do Doce”, afirmou Rolim.
Análises incluem metais pesados e agrotóxicos
Para executar o trabalho, a Funasa mobilizou três Unidades Móveis de Controle da Qualidade da Água (UMCQA), além de equipes técnicas especializadas e veículos de apoio que atuarão simultaneamente em diferentes trechos da bacia.
As análises realizadas em campo incluem parâmetros considerados essenciais para avaliar a qualidade da água, como coliformes totais, Escherichia coli, pH, turbidez e cloro residual.
Além disso, amostras serão encaminhadas para laboratórios especializados, onde passarão por avaliações mais detalhadas envolvendo a presença de metais pesados, compostos orgânicos e resíduos de agrotóxicos.
A operação conta ainda com a parceria do Consórcio Intermunicipal de Saneamento Básico da Zona da Mata de Minas Gerais (Cisab), que auxiliará em parte das análises laboratoriais.
Informações vão auxiliar ações de saúde pública
De acordo com o coordenador-geral de Ações Estruturantes em Saneamento e Saúde Ambiental da Funasa, Artur Moret, o objetivo é ampliar a produção de dados técnicos que possam orientar políticas públicas e fortalecer a vigilância da qualidade da água nos municípios atingidos.
“A primeira campanha permitiu ampliar significativamente o monitoramento da qualidade da água na Bacia do Rio Doce e produzir um retrato importante das condições de abastecimento nos municípios acompanhados. Agora, damos continuidade a esse trabalho, fortalecendo o acompanhamento sistemático desses pontos e gerando informações que contribuam para a proteção da saúde da população e para o planejamento das ações de saúde ambiental”, destacou.
O monitoramento faz parte das iniciativas voltadas à reparação dos impactos causados pelo rompimento da barragem de Fundão, considerado um dos maiores desastres ambientais da história do Brasil, com reflexos que ainda atingem comunidades de Minas Gerais e do Espírito Santo.










