A morte do lavrador Gilberto Aurich, de 39 anos, morador de Itaguaçu, passou a ser investigada pela Polícia Civil após denúncias de que ele teria recebido uma quantidade excessiva de medicamentos sedativos durante o período em que esteve internado em um hospital em Vitória.
Gilberto morreu no último domingo (21), após permanecer internado desde abril. Ele havia sido hospitalizado depois de sofrer um acidente de motocicleta que provocou uma fratura na mandíbula.
Segundo familiares, o lavrador sofreu o acidente no dia 4 de abril. Quatro dias depois, foi transferido. Ainda conforme relatos da família, no dia 11 daquele mês ele sofreu uma parada cardíaca, entrou em coma e nunca mais recuperou a consciência.
A principal suspeita apresentada pelos familiares é de que a parada cardíaca tenha ocorrido após a administração de uma dose excessiva de sedativos durante uma crise de abstinência. A família é representada pelo advogado Leandro Sarnaglia, que acompanha o caso.
“O que levou Gilberto à morte não foi a fratura na mandíbula, mas o excesso de medicamento, como será apurado nessa investigação criminal”, afirmou o advogado.
De acordo com ele, a suspeita é baseada na análise do prontuário médico e em boletins de ocorrência registrados por uma médica e pela associação responsável pela gestão do hospital. Conforme a denúncia, um enfermeiro teria, inclusive, falsificado a assinatura da médica em uma prescrição de medicamentos, fato que também integra a investigação.
Apesar das suspeitas levantadas pela família, a certidão de óbito aponta como causas da morte tromboembolismo cardiopulmonar, sepse, pneumonia e fratura na mandíbula.
A Polícia Civil informou que instaurou investigação para esclarecer as circunstâncias da morte e apurar se houve eventual responsabilidade criminal durante o atendimento hospitalar.
Enfermeiro foi demitido
A Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) informou que o enfermeiro citado nas denúncias foi demitido por justa causa no dia 21 de abril, ainda durante a internação de Gilberto. Na mesma ocasião, também foi instaurado um protocolo de comunicação com a família do paciente.
Especialista pede cautela
Ouvido sobre o caso, um médico infectologista que não participou do atendimento explicou que, sem acesso ao prontuário completo, não é possível afirmar que a administração dos sedativos tenha sido a causa da morte.
Segundo o especialista, o tromboembolismo cardiopulmonar é uma condição grave, que pode provocar parada cardíaca e apresenta alta taxa de mortalidade. Ele ressaltou, entretanto, que somente a investigação policial e a análise técnica de toda a documentação médica poderão esclarecer se houve alguma irregularidade na assistência prestada ao paciente.










