A vida passou, a família cresceu e o amor ficou: colatinense celebra 103 anos
Nascida em 1923, Maria do Nascimento Mattos Lyrio atravessou mais de um século de transformações e construiu uma família com nove filhos, 17 netos e dezenas de bisnetos e tataranetos

Há vidas que podem ser contadas em anos. Outras precisam ser contadas em gerações, lembranças e histórias. A de Maria do Nascimento Mattos Lyrio é assim.
Dona Maria completou 103 anos nesta segunda-feira, 31 de agosto. Nascida em 1923, em São João de Barra Seca, no Espírito Santo, ela atravessou mais de um século vendo o mundo mudar diante dos próprios olhos.
São 103 anos que guardam uma história difícil de resumir em números. Mas alguns deles ajudam a revelar o tamanho de seu legado: Dona Maria é mãe de nove filhos, avó de 17 netos e viu a família crescer com dezenas de bisnetos e tataranetos.
Mais do que matriarca, tornou-se uma referência para diferentes gerações da família.
Uma memória que atravessa o tempo
Quem convive com Dona Maria encontra também uma verdadeira contadora de histórias.
Com lucidez e memória preservada, ela ainda recupera acontecimentos de uma época que, para as gerações mais novas, existe apenas nos livros.
Entre suas lembranças estão os tempos da Segunda Guerra Mundial, ocorrida entre 1939 e 1945. Dona Maria recorda os reflexos daquele período no cotidiano das famílias, inclusive as dificuldades para conseguir determinados produtos e suprimentos.
Ela tinha apenas 16 anos quando a guerra começou.
Décadas se passaram. Vieram novas estradas, a televisão, mudanças nos meios de transporte e comunicação, computadores, internet e, finalmente, um pequeno aparelho capaz de colocar praticamente o mundo inteiro na palma da mão.
Da Segunda Guerra ao smartphone
Talvez seja justamente aí que esteja uma das características mais encantadoras de Dona Maria.
Mesmo tendo nascido em um mundo completamente diferente daquele de hoje, ela não perdeu a curiosidade pelo novo.
Atenta às transformações, compreendeu o funcionamento dos smartphones e percebeu rapidamente algo que para quem nasceu nas últimas décadas parece absolutamente comum: pelo celular é possível pesquisar e encontrar informações sobre praticamente qualquer assunto.
É uma distância histórica impressionante.
A menina que viveu os reflexos de uma guerra mundial chegou aos 103 anos em uma época em que pessoas separadas por milhares de quilômetros podem conversar olhando umas para as outras pela tela de um telefone.
E Dona Maria acompanhou tudo isso.
O ponto de encontro de uma família
Mas nenhuma transformação tecnológica parece superar aquilo que permanece como centro de sua história: a família.
Ao longo das décadas, Dona Maria construiu uma relação marcada pelo acolhimento e pela proteção aos filhos, netos, bisnetos e tataranetos.
Até muito recentemente, sua disposição e energia continuavam surpreendendo aqueles que convivem com ela.
Hoje, aos 103 anos, permanece como a grande referência familiar — uma presença que une diferentes gerações em torno de uma mesma história.
Em uma família tão numerosa, cada descendente certamente guarda sua própria lembrança de Dona Maria. Para alguns, ela é mãe. Para outros, avó, bisavó ou tataravó.
Para todos, porém, existe algo em comum: a possibilidade rara de conviver com alguém cuja própria vida ajuda a contar mais de um século de história.
Dona Maria nasceu em 1923.
O mundo ao redor dela mudou incontáveis vezes desde então.
E, 103 anos depois, sua maior obra continua reunida ao seu redor: a família que ajudou a construir.




