Pesquisa suspensa pelo TRE-ES que dava liderança a Pazolini colocou bairro de Vitória em Colatina
Mata da Praia apareceu como se pertencesse a Colatina; Justiça Eleitoral apontou 52 inconsistências em dados territoriais de duas pesquisas do Instituto Veritá

Um detalhe envolvendo Colatina está entre as inconsistências que levaram a Justiça Eleitoral a suspender a divulgação de duas pesquisas do Instituto Veritá sobre as disputas pelo Governo do Espírito Santo e pelo Senado.
Nos dados apresentados à Justiça Eleitoral, Mata da Praia, bairro localizado em Vitória, apareceu associado ao município de Colatina.
E não foi o único caso que chamou a atenção. Ao analisar os levantamentos ES-01361/2026 e ES-00353/2026, o Tribunal Regional Eleitoral do Espírito Santo (TRE-ES) identificou 52 ocorrências questionadas envolvendo a indicação dos municípios e bairros onde as entrevistas teriam sido realizadas.
Foram 20 registros questionados em uma pesquisa e outros 32 na segunda.
Entre os exemplos citados estão “Caixa Postal” registrada como bairro de Guarapari e “Corpo de Bombeiros” como bairro de Nova Venécia.
Também houve registro de Itapuã, bairro de Vila Velha, associado a Vitória, além do próprio nome “Vila Velha” colocado no espaço destinado à identificação do bairro.
TRE-ES suspende divulgação
Diante das inconsistências, o TRE-ES determinou liminarmente a suspensão imediata da divulgação das duas pesquisas.
A decisão foi proferida pela desembargadora Eliana Junqueira Munhos Ferreira, juíza auxiliar do TRE-ES, em representação apresentada pela coligação Agora é o Futuro.
Cada levantamento ouviu 1.220 eleitores por meio de ligações automatizadas para telefones celulares e teve custo declarado de R$ 93,94 mil.
A Justiça determinou ainda que o Instituto Veritá retire, no prazo de 24 horas, publicações contendo resultados, rankings, análises, vídeos, cards e chamadas relacionadas às pesquisas.
Enquanto a decisão estiver em vigor, o instituto também não poderá republicar nem encaminhar os resultados aos veículos de comunicação. O descumprimento poderá resultar em multa de R$ 10 mil por ato.
Instituto atribuiu problemas à metodologia
O Veritá argumentou que os registros questionados correspondem a uma parcela reduzida das entrevistas e sustentou que as inconsistências estariam relacionadas à metodologia utilizada na coleta das informações.
A Justiça Eleitoral, porém, considerou que a forma de coleta pode explicar a origem de determinados erros, mas não afasta a necessidade de conferir corretamente os dados antes de apresentá-los.
Para a magistrada, as inconsistências levantam dúvidas sobre a correspondência entre os locais declarados nos arquivos entregues à Justiça Eleitoral e aqueles onde as entrevistas efetivamente ocorreram.
TRE-ES também quer informações sobre financiamento
A decisão também determinou o aprofundamento da análise sobre o financiamento das pesquisas.
Os dois levantamentos foram registrados como custeados com recursos próprios do Instituto Veritá.
O TRE-ES determinou que sejam apresentados documentos financeiros e contábeis, além de comprovantes relacionados aos custos das pesquisas e às bases das entrevistas realizadas.
A decisão, entretanto, não concluiu que houve irregularidade no financiamento. Essa questão continuará sendo analisada após a apresentação dos documentos solicitados.
A própria decisão deixa claro que a suspensão das duas pesquisas, neste momento, está fundamentada nas inconsistências relacionadas às áreas informadas para a realização das entrevistas.
A medida é liminar e o processo ainda terá continuidade.
ES FALA: imagem ilustrativa crédito redes sociais




