O baile dos camaleões: vereadores de Colatina trocam de lado e expõem a política da conveniência
Base do prefeito Renzo Vasconcelos declara apoio em bloco a Pazolini e Flávio Bolsonaro no 2º turno, revelando parlamentares sem espinha dorsal ideológica, movidos apenas pelo cheiro do poder

A política costuma ser pedagógica, mas em tempos de segundo turno ela se torna acidentalmente sincera. O recente vídeo divulgado ao lado do prefeito Renzo Vasconcelos, em que a base governista da Câmara Municipal de Colatina declara apoio formal às candidaturas de Lorenzo Pazolini ao Governo do Estado e de Flávio Bolsonaro, é o retrato que caracteriza a nossa classe política local dentro da câmara de vereadores.
A questão aqui não é a escolha partidária do prefeito. Renzo Vasconcelos ficou neutro no primeiro turno fez o movimento esperado dentro do xadrez político. O ponto crucial e vexatório da cena está na fileira de vereadores postados ao seu redor — muitos dos quais, até poucas semanas atrás, vestiam outras camisas, defendiam outros discursos e militavam por projetos diametralmente opostos no primeiro turno.
Sem lado, sem convicção, sem vergonha
Para o eleitor atento, a imagem causa um desconforto inevitável. Dos parlamentares presentes em um vídeo, uma parcela considerável marchou sob outras bandeiras no 1º turno. O que mudou de lá para cá? Alguma revelação programática? Algum compromisso inabalável com o futuro de Colatina?
Obviamente não. O que mudou foi apenas a direção do vento.
Ver vereadores mudando de lado com a velocidade de quem troca de roupa expõe a falta absoluta de coerência e identidade política. Mostra que, para parcela expressiva da Câmara de Colatina, o mandato não é um instrumento de representação de ideais ou de parcelas da sociedade, mas sim um balcão de negócios regido pelo pragmático e rasteiro efeito “maria vai com as outras”.
O eleitor como mero espectador
O comportamento camaleônico desses parlamentares escancara um fenômeno ultrapassado, mas ainda vivo: o medo de ficar de fora do “palanque vencedor”.
O eleitor que depositou seu voto de confiança nesses vereadores no primeiro turno, acreditando nas bandeiras que eles sustentavam no palanque, hoje se vê traído. Afinal, qual é a verdadeira cara do seu vereador? A de ontem ou a de hoje? Ou será que a resposta correta é “nenhuma das duas”, dependendo de quem estiver liderando as pesquisas?
A política da conveniência pode até render cargos e afagos temporários nos corredores do poder municipal, mas cobra seu preço nas urnas quando o cidadão percebe que foi tratado como mero figurante nesse teatro de aparências.




