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Richarlison mostra documentos e contesta perda de mansão em disputa que envolve Flávio Bolsonaro

Jogador da seleção brasileira afirma que os documentos comprovam a legalidade da aquisição dos direitos sobre o imóvel em Angra dos Reis. Advogado contesta versão do atleta, e senador nega envolvimento irregular.

Por Cirilo de Tarso
Fundador e diretor do Portal ES FALA
· 5 min de leitura · Sem comentários
Richarlison mostra documentos e contesta perda de mansão em disputa que envolve Flávio Bolsonaro

Uma propriedade de luxo em Angra dos Reis, no litoral do Rio de Janeiro, colocou o atacante Richarlison, do Tottenham e da seleção brasileira, no centro de uma disputa que ultrapassou os tribunais e ganhou repercussão política nacional.

Nesta quarta-feira (21), o jogador divulgou um vídeo nas redes sociais apresentando documentos que, segundo ele, demonstram a legalidade da aquisição dos direitos de ocupação do imóvel, realizada em 2020.

Richarlison acusa o advogado Willer Tomaz, que mantém relação de amizade com o senador Flávio Bolsonaro (PL), de ter participado de manobras que resultaram na perda da posse da propriedade. O atleta também atribui envolvimento ao parlamentar.

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Crédito redes sociais

Os dois contestam as acusações. Tomaz afirma que os direitos sobre o imóvel foram adquiridos legalmente, enquanto Flávio Bolsonaro nega ter participado da disputa.

Mansão com cachoeira particular está no centro da disputa

O imóvel fica na região de Ilha Comprida, em Angra dos Reis, nas proximidades do aeroporto local. A propriedade possui uma mansão e uma cachoeira particular.

Existe, porém, um detalhe jurídico fundamental: o terreno pertence à União. A discussão envolve os direitos de ocupação da área, e não a compra da propriedade plena do terreno público.

Richarlison afirma que ele e seus parceiros adquiriram esses direitos em outubro de 2020.

Segundo o atacante, foram investidos aproximadamente R$ 10 milhões, considerando pagamentos aos antigos ocupantes, reformas e despesas com segurança.

Desse total, R$ 4,66 milhões teriam sido destinados aos antigos posseiros.

O jogador sustenta que os acordos foram formalizados e que a documentação apresentada agora demonstra a legitimidade da negociação.

Jogador diz que recusou proposta de compra

Na versão de Richarlison, o conflito começou depois que surgiram interessados em adquirir os direitos sobre o imóvel.

O atleta afirma que Flávio Bolsonaro estava entre os interessados e que, após a recusa da negociação, houve movimentações judiciais e administrativas que resultaram na perda da posse.

Richarlison também questiona a atuação da Secretaria do Patrimônio da União (SPU).

Ele alega que seu pedido de regularização ficou sem andamento durante aproximadamente dez meses, enquanto procedimentos posteriores relacionados ao grupo de Willer Tomaz teriam avançado rapidamente.

Essas alegações são contestadas pela outra parte e não representam conclusões judiciais sobre a existência de irregularidades.

Advogado afirma que aquisição foi legal

Willer Tomaz apresenta uma versão diferente sobre a origem dos direitos de ocupação.

Segundo ele, a aquisição foi realizada dentro da legalidade e houve desembolso de aproximadamente R$ 5 milhões para regularizar pendências relacionadas ao imóvel.

O advogado sustenta que Richarlison realizou pagamentos a pessoas que não possuíam os direitos legítimos sobre a área.

Ele também questiona os valores apresentados pelo atacante, afirmando que documentos de uma empresa ligada ao jogador indicariam pagamento de R$ 2,6 milhões, diferente dos R$ 4,66 milhões mencionados no vídeo.

Tomaz afirma ainda que existem documentos administrativos e decisões judiciais favoráveis à sua posição, inclusive no Superior Tribunal de Justiça (STJ).

O conflito, portanto, envolve não apenas a negociação realizada em 2020, mas a validade dos documentos e a identificação de quem detinha os direitos de ocupação que poderiam ser transferidos.

Flávio Bolsonaro nega envolvimento

O senador Flávio Bolsonaro, candidato à Presidência da República, nega ter participado de qualquer irregularidade relacionada ao imóvel.

Em manifestações anteriores, afirmou que não integra o litígio e que seu nome apareceu no processo na condição de testemunha.

O parlamentar também declarou manter uma relação de amizade com Willer Tomaz, mas rejeita a acusação de ter atuado para tomar a propriedade do jogador.

Richarlison, por sua vez, afirma que tentou resolver a situação diretamente com Flávio Bolsonaro no início de 2026, sem obter resposta.

O atacante também nega que tenha escolhido o período eleitoral para dar publicidade ao caso por motivação política.

Disputa chega ao Ministério Público Federal

Além da discussão entre as partes, a situação passou a ser questionada por um coletivo da sociedade civil.

O grupo Derrubando Muros encaminhou uma representação ao Ministério Público Federal solicitando a apuração das circunstâncias envolvendo a regularização dos direitos de ocupação.

O argumento central é que o terreno pertence à União, o que torna necessária a observância das regras aplicáveis à administração do patrimônio público.

A representação levanta suspeitas de possível advocacia administrativa, hipótese que depende de investigação e não deve ser tratada como crime comprovado.

Entre os nomes associados ao documento estão o jurista Miguel Reale Jr. e o professor de Direito Conrado Hübner Mendes.

A apresentação da representação não significa que o Ministério Público tenha confirmado as suspeitas ou responsabilizado qualquer envolvido.

Justiça também analisou tentativa de impedir publicações

A disputa ganhou outro capítulo quando Willer Tomaz buscou na Justiça impedir que Richarlison continuasse divulgando acusações sobre o imóvel.

Conforme reportagem publicada pelo UOL nesta quarta-feira (21), o pedido urgente foi negado em agosto. A decisão considerou o risco de restrição prévia à liberdade de expressão.

O processo relacionado às publicações continua em tramitação. A negativa da medida urgente não representa uma decisão definitiva sobre a veracidade das acusações feitas pelo jogador.

O que ainda precisa ser esclarecido?

A divulgação dos documentos por Richarlison reacendeu o debate sobre a origem dos direitos de ocupação, a validade das negociações e os procedimentos adotados para a regularização da propriedade.

De um lado, o atacante afirma ter realizado uma compra legítima e perdido o imóvel injustamente. Do outro, o advogado sustenta que possui documentação e decisões que respaldam sua posição.

Flávio Bolsonaro rejeita qualquer participação irregular.

Enquanto essas versões permanecem em confronto, a representação apresentada ao Ministério Público Federal acrescenta uma questão de interesse público: a necessidade de esclarecer se os procedimentos envolvendo um terreno da União respeitaram as exigências legais.

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