Colatinense que sofreu ataques racistas faz campanha com a atriz Erika Januza

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A colatinense Carol Inácio é só felicidade. A influencer, moradora no bairro Maria das Graças, gravou uma campanha com a atriz Erika Januza no Rio de Janeiro, no último fim de semana.

“Me tremi toda. Ela é extremamente simpática”, comenta Carol, que ficou surpresa ao ver quando a rainha da bateria da Viradouro entrou no set de gravações.

Segundo Carol, foram dois dias de gravação e Erika apareceu apenas no fim do segundo dia. “Fiquei chocada quando vi, por que a Erika é uma referência enquanto mulher preta e pela profissão também. Uma atriz e uma influenciadora preta”, comenta com empolgação, mas dizendo que teve que se conter ao se aproximar da global.

“Tive que investir numa classe, mas por dentro eu estava gritando. Por fora, eu mantive uma calma para chegar nela. Acho que ela nem deve lembrar de mim”, conta a colatinense.

“Aguardei o término das gravações. Ela, muito simpática, já foi perguntando para as pessoas da produção e falando: “vamos tirar foto sim”. Consegui tirar a foto antes do pessoal fazer fila. Logo soltei um elogio: disse que ela era uma referência grande para mim. Ela agradeceu”, continua Carol, dizendo que as luzes do cenário se apagaram na sequência.

“Ela falou para não apagarem as luzes pois estava tirando fotos.  Eu disse que não tinha problema pois tínhamos muita luz própria. Ela concordou e disse: “você tem um sorriso encantador”, finaliza.

RELEMBRE O FATO

A colatinense Carol Inácio, moradora do Bairro Maria das Graças, que é militante do Movimento de Mulheres Negras de Colatina, registrou Boletim de Ocorrência (BO) esta semana, após ter sofrido pela segunda vez ataques racistas nas redes sociais. Carol, que também é afroencer, termo que, como explica, é uma mistura de afro com influencer, tem um perfil no Instagram, o @ afrocarol. Nele, aborda temas como feminismo negro e empoderamento feminino, o que acredita ter motivado as agressões.

O ato de racismo ocorreu neste domingo (8), quando Carol foi inserida em um grupo de WhatsApp chamado Realities Red Pill Opressor, com cerca de 130 pessoas. No grupo, consta a seguinte descrição: “Somos homens, brancos, hetero normais, devido a isso te oprimimos, né? Portanto, assuma seu lugar de inferioridade total”. Abaixo da descrição, constam frases como “gayzismo é doença” e “feminismo é lixo”. Nas mensagens enviadas para o grupo, Carol afirma ter sido chamada de “negra porca”, além de os participantes escreverem que “negro fede”.

Foto crédito redes sociais

Carol afirma ter ficado muito abalada com o ocorrido e que não dormiu de domingo para segunda, mas que agora está tranquila, pois tem recebido apoio dos movimentos sociais, advogados e do mandato da vereadora de Vitória, Camila Valadão (Psol), que é sua colega de partido. “Queria que as pessoas tivessem mais respeito pela gente que é preta, que tem cabelo crespo, que tem uma orientação sexual diferente”, desabafa.

O trabalho que faz na internet, destaca, é “árduo, de muita luta”, mas deve continuar. “Porém, dizer que está sendo fácil, não está”, lamenta.

Esta não foi a primeira agressão sofrida por Carol. Ela recorda que em 22 de julho, após postar um vídeo de sua mãe e sua tia se vacinando contra a Covid-19 e gritando “Viva o SUS!” e “Fora, Bolsonaro!”, ela foi inserida em um grupo de WhatsApp chamado “Abaixo o Negrismo”, com cerca de 30 pessoas, no qual a postagem dela foi publicada.

Carol relata que saiu do grupo e depois recebeu uma mensagem de uma pessoa que estava nele, perguntando “e aê?”, mas a bloqueou. Posteriormente, outra pessoa que estava no grupo enviou prints das mensagens enviadas para a militante Movimento de Mulheres Negras de Colatina, após Carol ter sido bloqueada. De acordo com a afroencer, nos prints sua tia e sua mãe eram chamadas de “imundas” e “dois lixos”. Além disso, foi dito que ela “paga de militante e saiu do grupo porque não quer debate”.

ESFALA: foto crédito Instagram/@afrocarol/informação A Gazeta.  

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