O Ministério Público do Espírito Santo (MPES) segue desdobrando, em fases, a Operação Abutres II, que investiga um esquema de fraudes milionárias em pedidos de indenização relacionados ao rompimento da barragem da Samarco, em Mariana (MG). O desastre, que ocorreu em 2015, gerou um tsunami de lama no Rio Doce, afetando milhares de moradores de cidades mineiras e capixabas que dependiam do rio para sua subsistência.
As investigações apontam que os envolvidos no esquema simulavam residência em áreas atingidas para obter indenizações indevidas da extinta Fundação Renova, criada para reparar os danos causados pelo desastre. O rombo financeiro nos cofres da fundação, segundo o MPES, é milionário, e o caso segue sob sigilo judicial.
Na última quinta-feira (30), uma nova fase da Operação Abutres II foi deflagrada nos municípios de Baixo Guandu (ES) e Aimorés (MG), com o cumprimento de mandados de busca e apreensão expedidos pela Justiça. A ação teve como objetivo coletar documentos, dispositivos eletrônicos e outros materiais que possam servir como prova para a investigação.
Desde 2023, a operação já teve várias fases, e, a cada nova etapa, novos elementos são anexados ao processo, ampliando a lista de pessoas investigadas.
Em dezembro de 2024, o MPES denunciou cinco suspeitos de envolvimento nas fraudes, mas, devido ao sigilo do processo, seus nomes não foram divulgados.
As investigações ganharam ainda mais relevância após a assinatura de um novo acordo bilionário, em outubro de 2024, para garantir a reparação dos danos causados pelo desastre. Esse acordo estabeleceu um novo modelo de governança dos recursos e determinou a extinção da Fundação Renova, criada em 2016 para gerir os pagamentos das indenizações.
A investigação se concentra em uma extensa lista de beneficiários suspeitos de terem recebido valores indevidos. Com o avanço da operação, mais pessoas podem ser indiciadas nos próximos meses.














