O Espírito Santo registrou, no primeiro trimestre de 2025, o melhor desempenho em vendas de motocicletas desde o início da série histórica do Sindicato dos Concessionários e Distribuidores de Veículos do Estado (Sincodives), iniciada em 1999. De janeiro a março, foram licenciadas 10.828 unidades no estado — um aumento de 11,37% em relação ao mesmo período do ano passado.
Somente no mês de março, foram emplacadas 3.928 motos, representando um crescimento de 8,9% em comparação com o mesmo mês de 2024. O desempenho estadual acompanha o cenário nacional, que também alcançou o melhor primeiro trimestre da história: 474.023 motocicletas licenciadas no Brasil, alta de 9,6% na comparação anual.
A produção nacional de motocicletas também cresceu de forma expressiva, alcançando 501.142 unidades no trimestre — o melhor resultado desde 2012, segundo dados da Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas, Ciclomotores, Motonetas, Bicicletas e Similares (Abraciclo). Só em março, foram fabricadas 158.343 motocicletas, volume 1,4% maior que o de março de 2024.
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13,4% dos capixabas preferem a motoneta/Redes sociais
Apesar da queda de 10,4% em relação a fevereiro, por conta do menor número de dias úteis devido ao feriado de Carnaval, a expectativa da Abraciclo é fechar 2025 com a produção de 1.880.000 motocicletas, uma alta de 7,5% em relação ao ano anterior.
Entre os modelos mais fabricados no Brasil, destacam-se as motos da categoria street, com 259.948 unidades no primeiro trimestre (51,9% do total), seguidas pelas trail (20,2%) e motonetas (13,4%). A maior parte da produção (77,7%) foi de motocicletas de baixa cilindrada.
O mercado externo também apresentou bons números. De janeiro a março, foram exportadas 9.643 motocicletas — um crescimento de 2,8% em relação ao mesmo período de 2024. Em março, o volume exportado foi de 4.043 unidades, 1,2% menor que em março do ano passado, mas 44,8% superior a fevereiro. A Abraciclo projeta que, até o fim do ano, as exportações deverão chegar a 35 mil unidades, representando um avanço de 13%.
O crescimento nas vendas mostra uma busca por soluções práticas de mobilidade, especialmente em centros urbanos. A expansão do uso das motocicletas — seja para deslocamentos individuais ou para atividades profissionais — confirma a tendência de consolidação desse tipo de veículo como parte fundamental da mobilidade brasileira.
NEM TUDO SÃO FLORES
Apesar do recorde histórico na venda de motocicletas no Espírito Santo, com mais de 10 mil unidades emplacadas apenas no primeiro trimestre de 2025, os números positivos no mercado contrastam com uma realidade preocupante nas ruas: o aumento expressivo nos acidentes envolvendo motociclistas.
Dados recentes revelam que 498 motociclistas perderam a vida em acidentes de trânsito no estado em 2024, um aumento alarmante de 21,8% em relação a 2023, quando foram registradas 409 mortes. Esse número representa mais da metade (51,2%) das mortes no trânsito capixaba.
A situação também é refletida nos atendimentos do SAMU. Em 2024, o serviço realizou 30.204 atendimentos a acidentes de trânsito no Espírito Santo. Desses, 21.911 — cerca de 72,5% — envolveram motocicletas, o que significa, na prática, aproximadamente 60 acidentes com motos por dia.
Frota crescente, riscos multiplicados
O crescimento da frota de motocicletas também chama atenção. O Espírito Santo já soma mais de 743 mil motocicletas, ciclomotores e motonetas, o que representa cerca de 30% da frota total de veículos no estado. Com o aumento da presença de motos nas ruas, os riscos naturalmente se intensificam — principalmente diante de comportamentos inseguros.
Especialistas apontam que as principais causas dos acidentes envolvem imprudência, como excesso de velocidade, direção entre veículos em movimento, uso de celular durante a condução e ausência de equipamentos de segurança adequados, como o capacete.
O contraste entre a expansão do mercado de duas rodas e o aumento da violência no trânsito é um indicativo para o poder público e para a sociedade. Enquanto o setor comemora números históricos de vendas e produção, os hospitais e os serviços de emergência enfrentam uma demanda crescente por atendimentos a vítimas de acidentes com motos.















