Caso Mariana: Escritório da ação contra BHP em Londres acumula dívidas de mais de 500 milhões de libras, diz auditoria

O escritório britânico Pogust Goodhead, responsável por representar cerca de 620 mil vítimas do rompimento da barragem da Samarco em Mariana (MG), acumulava, em 2022, dívidas de curto prazo no valor de 522 milhões de libras – o equivalente a mais de R$ 3,5 bilhões na cotação atual. As informações constam em um balanço financeiro publicado com 18 meses de atraso, revelado nesta terça-feira (15) pelo jornal especializado The Law Society Gazette.

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Segundo auditores que analisaram as contas, há uma “incerteza material” quanto à capacidade do escritório de cumprir suas obrigações financeiras. O documento mostra ainda que o diretor da firma, Tom Goodhead, recebeu um adiantamento de 4,24 milhões de libras. A maior parte do valor não foi paga até o final do exercício fiscal, estava isenta de juros, sem garantia e deveria ser quitada à vista. Posteriormente, o montante foi perdoado, segundo a publicação.

Apesar dos números preocupantes, o balanço referente ao ano de 2023 ainda não foi apresentado. Em nota, o Pogust Goodhead afirmou que sua atuação está baseada na força do portfólio de ações judiciais, e não em ciclos financeiros tradicionais. “O escritório continua bem financiado, com forte apoio de investidores e um valioso conjunto de processos que impulsionam retornos de longo prazo”, informou.

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Caso Mariana

O Pogust Goodhead é o principal escritório responsável pela ação coletiva movida no Reino Unido contra as mineradoras Vale e BHP Billiton, envolvidas na tragédia ambiental ocorrida em 2015, quando a barragem de Fundão, da Samarco, se rompeu e devastou comunidades inteiras em Minas Gerais e no Espírito Santo.

Em entrevista concedida em setembro de 2024 ao portal Poder360, Tom Goodhead estimou que as indenizações às vítimas podem alcançar até 36 bilhões de libras – cerca de R$ 279 bilhões. No entanto, segundo ele, esse valor pode ser reduzido conforme o desfecho judicial.

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O escritório deve receber honorários que variam conforme cada caso, podendo chegar a até 30% do valor conquistado por algumas vítimas.

A fase de alegações finais do processo no Reino Unido foi concluída em março deste ano, e o veredito é esperado até o fim de 2025. Caso as mineradoras sejam responsabilizadas, o processo seguirá para uma nova fase, que definirá os valores a serem pagos. Essa decisão final pode sair até 2028.

Apesar das críticas e do quadro financeiro revelado, o Pogust Goodhead garante que a condução dos casos segue normalmente. O escritório classifica 2025 como “o ano mais significativo até hoje”, com processos emblemáticos, como o da tragédia de Mariana e ações contra montadoras, avançando para estágios decisivos.

A atuação da banca britânica tem sido acompanhada de perto por vítimas, juristas e autoridades, especialmente diante da grandiosidade da causa envolvendo o maior desastre ambiental da história do Brasil.

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