Com raízes em Colatina e trajetória marcada pela força da arte periférica, a atriz Castilho vem ganhando projeção nacional e internacional. Uma das protagonistas do filme A Batalha da Rua Maria Antônia — eleito Melhor Longa do Festival do Rio 2023 —, ela brilha nas telas ao interpretar uma jovem universitária em meio ao emblemático confronto entre estudantes da USP e do Mackenzie durante a ditadura militar.
No Cineclube Metrópolis da UFES, onde o longa está em cartaz, Castilho caminha entre as poltronas com o olhar firme e voz decidida, refletindo o mesmo vigor de sua atuação no cinema. A artista nasceu em Colatina, e cresceu no bairro Morada da Barra, em Vila Velha. Sua trajetória, profundamente marcada pela vivência ribeirinha e a cultura caiçara, ecoa em cada projeto que assume.
“Ser capixaba é ter como herança a cultura de congadas e pescadores, além de todo um repertório histórico de aldeamentos urbanos e quilombos remanescentes. Isso sempre me ensinou a fluir em meus movimentos artísticos”, explica a atriz, que transita com desenvoltura entre o teatro, o cinema, o streaming e a televisão.
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A atriz Castilho é natural de Colatina/@manoellita/Fabio audio
Na TV, Castilho integrou o elenco principal da série Santo, da Netflix, e viveu a personagem Cris Tênia na série Feras, da MTV. No streaming, atuou no filme Anna, de Heitor Dhalia (Prime Video), e protagonizou uma cena intensa como Ofélia. No teatro, arrancou aplausos com atuações em montagens como Depois do Ensaio, Nora e Persona, sendo reconhecida como Melhor Intérprete.
Além de atuar, a colatinense também brilha nos bastidores. Em 2023, assinou a direção de movimento do espetáculo O Avesso da Pele, apresentado no Tusp e no Theatro Municipal de São Paulo, e participou do musical a céu aberto Mundaréu de Mim. Graduada pela Escola de Arte Dramática da USP, Castilho se define como uma artista em constante expansão: “Sou um compilado de possibilidades. Acho que isso gera uma infinidade de portas e camadas que só ampliam meu repertório artístico”, afirma.
Sua prática artística é atravessada por referências afroindígenas e latino-americanas, com influências de pensadoras como Leda Maria Martins, Conceição Evaristo e Clara Potiguara. “Artistas racializados nunca param de estudar. Descobri um misto de fúria, fuga, audácia e fortaleza através da ancestralidade e da arte”, reflete.
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E os projetos não param. Castilho está à frente da direção de movimento de uma nova peça com estreia prevista para junho, em São Paulo, e também trabalha na preparação do elenco de um curta-metragem. Paralelamente, desenvolve a pesquisa autoral intitulada #PRÓPIR4nh4, que terá sua primeira exposição visual lançada no segundo semestre.
Com talento, presença e forte ligação com suas origens, Castilho é hoje um dos nomes mais promissores da nova geração de artistas brasileiros — e motivo de orgulho para Colatina.














