Espírito Santo, terra de Anchieta, não está no roteiro da cruz que celebra 525 anos da primeira missa

Como parte das comemorações pelos 525 anos da primeira missa celebrada em solo brasileiro, a cruz simbólica usada na celebração histórica está peregrinando entre os dias 15 e 26 de abril por 13 municípios brasileiros, passando por cinco Estados — São Paulo, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Pará e Bahia — além do Distrito Federal. No entanto, o Espírito Santo ficou fora do roteiro, apesar de sua relevância histórica e religiosa.

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A ausência do Estado gerou questionamentos, especialmente porque Vila Velha, na Grande Vitória, é uma das cidades mais antigas do Brasil, e o Espírito Santo foi terra de São José de Anchieta, reconhecido como o “Apóstolo do Brasil” por sua atuação evangelizadora no período colonial.

A cruz chegou ao Brasil após ser trazida do Tesouro-Museu da Sé de Braga, em Portugal, onde permanece preservada. Antes de desembarcar no país, o símbolo passou por cidades portuguesas como Lisboa, Fátima e Cascais. As primeiras celebrações em território brasileiro ocorreram nesta terça-feira (15), em São Paulo, marcando o início da peregrinação.

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A cruz remete à primeira missa realizada em 26 de abril de 1500, na Praia da Coroa Vermelha, em Santa Cruz Cabrália, na Bahia. O ato foi conduzido pelo frei Henrique de Coimbra e é considerado um marco simbólico do encontro entre os portugueses recém-chegados e os povos originários que habitavam o território. O local, que hoje integra a Costa do Descobrimento, no sul da Bahia, é um importante destino turístico e de memória histórica.

Mesmo com sua ligação direta com o início da evangelização no Brasil, o Espírito Santo — onde Anchieta viveu, pregou e morreu — não foi incluído na rota oficial da cruz, o que tem sido lamentado por fiéis e historiadores capixabas.

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A IMPORTÂNCIA DO PADRE JOSÉ DE ANCHIETA

Mais do que um nome em escolas, ruas e igrejas, Padre José de Anchieta é uma das figuras mais importantes da história do Brasil colonial — e seu legado permanece especialmente vivo no Espírito Santo, terra onde viveu seus últimos anos e onde também faleceu.

Canonizado pelo Papa Francisco em 2014 e reconhecido como o “Apóstolo do Brasil”, Anchieta foi um missionário jesuíta nascido na Espanha, em 1534, e chegou ao Brasil aos 19 anos, em 1553, com o objetivo de evangelizar os povos indígenas e apoiar a consolidação da presença portuguesa no território recém-colonizado.

Com domínio da língua tupi, Anchieta atuou como pacificador entre portugueses e indígenas, fundou escolas, aldeamentos e igrejas, e deixou um vasto legado cultural, espiritual e literário. Ele foi também autor de gramáticas, catecismos e peças teatrais voltadas à evangelização. Sua influência se estende não apenas à fé, mas à educação e à cultura brasileira.

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Espírito Santo: o lugar da última missão

Foi em Vila Velha, no atual Espírito Santo, que Anchieta viveu seus últimos anos e faleceu em 9 de junho de 1597, com 63 anos. A cidade, uma das mais antigas do país, abriga o Santuário de Anchieta, onde ele é venerado até hoje. O local recebe milhares de fiéis e turistas todos os anos, especialmente durante a Romaria de Anchieta, que refaz o caminho que o jesuíta percorria entre Vitória e Anchieta a pé, em jornadas de fé e missão.

Anchieta é considerado o padroeiro da catequese no Brasil e cofundador da cidade de São Paulo, além de ser lembrado por sua atuação no combate à escravidão indígena e na promoção de um diálogo, ainda que limitado aos moldes da época, entre culturas distintas.

Em tempos modernos, José de Anchieta continua sendo uma figura de inspiração para educadores, religiosos e estudiosos da história do Brasil. Seu legado é especialmente valorizado no Espírito Santo, onde sua presença é parte da identidade local. A cidade de Anchieta, que leva seu nome, reforça essa memória viva em monumentos, escolas, igrejas e na devoção popular.

Mesmo com as mudanças sociais e religiosas ao longo dos séculos, Anchieta permanece como símbolo da missão evangelizadora, da educação como ferramenta de transformação e do esforço de integração entre povos.

Sua importância ultrapassa o campo da fé: Anchieta é parte da formação histórica e cultural do Brasil.

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