O recente caso registrado em Colatina, quando durante uma reunião de pais na Escola Municipal Antônio Nicchio a Polícia Militar encontrou drogas em poder de um estudante, expôs um problema que vai além dos muros da instituição e reflete uma realidade cada vez mais preocupante no Espírito Santo.
Um estudo divulgado nesta terça-feira (26), realizado pela Rede Abraço em parceria com a Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) e a Fapes, revelou que dois a cada 10 adolescentes matriculados em escolas públicas e privadas da Grande Vitória já experimentaram algum tipo de droga — lícita ou ilícita.
Substâncias mais usadas
O levantamento, feito entre março e dezembro de 2023 com 4.600 alunos de 63 escolas, mostrou que os adolescentes relataram uso de álcool, cigarro, cigarro eletrônico, maconha, cocaína, LSD, além de medicamentos para emagrecer e estimulantes.
Segundo a pesquisadora Franciéle Marabotti, doutora em Epidemiologia da Ufes, a adolescência é uma fase de transformações e vulnerabilidades, o que aumenta os riscos.
“É um momento em que o jovem busca identidade, independência e entrosamento com o grupo de amigos, o que o torna mais exposto ao uso de drogas”, explicou.
Diferença entre escolas públicas e privadas
Nas escolas públicas, as drogas mais citadas foram maconha e cigarro convencional. Já entre os alunos das instituições privadas, a prevalência foi do narguilé, cigarro eletrônico e medicamentos sem prescrição.
Além disso, o estudo apontou que meninas têm maior prevalência no consumo de substâncias, especialmente no uso de remédios para emagrecer e cigarros.
O subsecretário de Políticas sobre Drogas, Carlos Lopes, destacou que o levantamento fornece um retrato necessário para pensar em medidas de prevenção.
“Com esses dados, conseguimos formular políticas públicas mais assertivas, especialmente no campo da prevenção”, afirmou.
Reflexo em Colatina
O episódio da Escola Antônio Nicchio mostrou que a realidade retratada pela pesquisa também chega ao interior do Estado. Em Colatina, a presença de drogas dentro de uma instituição de ensino em pleno horário de reunião de pais causou indignação entre a comunidade escolar e preocupação entre as autoridades de segurança.
Seja na Grande Vitória ou no interior, os dados e os casos concretos reforçam a necessidade de debates, campanhas educativas e políticas públicas voltadas para a prevenção ao uso de drogas por adolescentes, especialmente no ambiente escolar.
ES FALA: informações Folha Vitória/Jornalista Aline Gomes















