Uma cena chamou a atenção dos moradores da comunidade de Santa Cruz, no interior de Linhares, Norte do Espírito Santo.
O agricultor Afonso Garabelli teve uma grata surpresa ao colher uma raiz de mandioca (aipim) com impressionantes 2 metros e 30 centímetros de comprimento em seu terreno.
Mesmo com anos de experiência na agricultura, Afonso contou que nunca havia visto uma mandioca daquele tamanho. O momento da colheita foi registrado por populares, que gravaram o agricultor descendo um rochedo com a raiz nas mãos, com dificuldade por causa do peso e do comprimento do tubérculo.
As imagens rapidamente viralizaram nas redes sociais, despertando curiosidade sobre o fenômeno e gerando comentários de admiração pela força da natureza e pela produtividade da região.
Segundo especialistas, raízes de mandioca podem alcançar tamanhos excepcionais quando há solo profundo, fértil e bem drenado, aliado a clima favorável e tempo prolongado de cultivo — condições típicas das áreas rurais de Linhares.
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Mandioca de gigante é colhida no interior de Linhares/Leitor
O QUE FAZ UMA MADIOCA CRESCER MAIS DE 2 METROS
O tamanho impressionante de algumas mandiocas — com raízes que ultrapassam dois metros de comprimento — tem despertado curiosidade e admiração. Mas esse fenômeno não é milagre: ele resulta de fatores agronômicos bem definidos, que envolvem tipo de solo, tempo de cultivo, clima, variedade da planta e manejo agrícola.
O solo é a base de tudo. As maiores raízes de mandioca se desenvolvem em solos arenosos, profundos e bem drenados, onde as plantas encontram pouca resistência física para se expandir.
Já em terrenos argilosos, compactados ou rasos, a mandioca tende a formar raízes mais curtas e grossas, pois o crescimento é limitado pela estrutura do solo.
Em locais onde a terra é fofa e profunda, as raízes podem crescer livremente e atingir tamanhos impressionante.
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Agricultor Afonso Garabelli, logo após colher a mandioca/Leitor
A mandioca é uma planta típica de clima tropical, e se desenvolve melhor em temperaturas entre 25 °C e 30 °C, com sol pleno e chuvas regulares.
Quando há bom equilíbrio entre calor e umidade, a planta mantém um crescimento contínuo, favorecendo o alongamento das raízes ao longo dos meses.
O ciclo normal da mandioca varia de 10 a 14 meses, mas quando o agricultor mantém a planta no solo por mais tempo — até 18 meses ou mais — as raízes continuam crescendo.
Isso explica por que algumas mandiocas “gigantes” aparecem em lavouras mais antigas: o agricultor atrasa a colheita e, com condições favoráveis, as raízes seguem se alongando.
O único porém é que, quanto mais tempo no solo, mais fibrosa e menos macia a raiz tende a ficar.
Nem todas as mandiocas têm potencial para crescer tanto.
Existem variedades de alta produtividade desenvolvidas por órgãos de pesquisa, como a Embrapa, que possuem raízes mais vigorosas e de maior comprimento.
Essas linhagens são selecionadas exatamente por apresentarem maior capacidade de absorção de nutrientes e desenvolvimento radicular profundo.
Outro fator essencial é o manejo agrícola.
A adubação equilibrada, com destaque para potássio e fósforo, estimula o crescimento da raiz.
O espaçamento adequado entre plantas também é fundamental — se o cultivo é muito adensado, as raízes competem por espaço e nutrientes, o que limita o tamanho.
Além disso, práticas como controle de plantas daninhas e evitar o encharcamento do solo ajudam a mandioca a atingir todo o seu potencial
O crescimento de uma mandioca com mais de dois metros de comprimento é um fenômeno raro, mas possível, quando há solo profundo, clima favorável, variedade produtiva e manejo adequado — especialmente se o agricultor deixa o cultivo amadurecer por mais tempo.














