“Casamento infantil”: Colatina, Linhares, Pancas e Itaguaçu têm casos de crianças vivendo em união, aponta IBGE

Censo 2022 revela que 470 crianças e adolescentes capixabas estão em situação proibida por lei desde 2019

O Espírito Santo possui 470 crianças e adolescentes entre 10 e 14 anos vivendo em união conjugal, segundo os resultados preliminares do Censo 2022 do IBGE. Os números fazem parte do levantamento sobre nupcialidade e família, divulgado no início de novembro, e revelam que o casamento infantil ainda é uma realidade no Estado, mesmo após a proibição por lei.

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Em todo o território nacional, são mais de 34 mil crianças nessa situação, o equivalente a 0,04% dos 90,3 milhões de brasileiros casados ou em união estável.

Entre os mais de 245 mil capixabas de 10 a 14 anos, o Censo identificou:

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  • 399 meninas vivendo como casadas ou em união estável;
  • 71 meninos na mesma condição.

A disparidade acompanha o padrão observado em todo o país: meninas são a maioria absoluta nas uniões precoces.

A maioria dos casos ocorre de forma informal, sem registro civil ou religioso. No Estado, são:

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  • 416 uniões estáveis;
  • 54 casamentos formais (sendo 51 com registro civil e religioso).

Casos em Colatina, Pancas e Itaguaçu

Os dados do IBGE mostram que o fenômeno está presente em todo o Espírito Santo, incluindo três importantes municípios do Noroeste capixaba:

Colatina — 19 casos

O maior município da região registrou 19 crianças entre 10 e 14 anos vivendo em união conjugal. O número acende alerta em uma cidade que concentra forte fluxo populacional e histórico de migração interna, fatores que podem influenciar vulnerabilidades sociais.

Itaguaçu — 13 casos

Com população menor e forte influência do meio rural, Itaguaçu aparece com 13 ocorrências, evidenciando que o casamento infantil segue presente mesmo em municípios com índices mais baixos de urbanização.

Pancas — 12 casos

Na vizinha Pancas, o Censo apontou 12 crianças vivendo como casadas ou em união estável, reforçando que o problema não se limita às maiores cidades.

Em Linhares, município que lidera os registros no interior, o Censo 2022 identificou 33 crianças e adolescentes entre 10 e 14 anos vivendo em união conjugal. O número coloca a cidade à frente de todos os demais municípios fora da Região Metropolitana, evidenciando que o problema persiste mesmo em áreas urbanizadas e economicamente fortes do Norte do Espírito Santo.

Além de Colatina, Linhares, Pancas e Itaguaçu, outros municípios com números expressivos são:

  • Cariacica: 62
  • Serra: 43
  • Vila Velha: 38
  • Vitória: 35
  • Linhares: 33
  • São Mateus: 30
  • Ibatiba: 22
  • Guarapari: 21
  • Alegre e Pedro Canário: 15 cada
  • Guaçuí: 13
  • Rio Bananal e Santa Maria de Jetibá: 10 cada
  • São Gabriel da Palha: 9
  • Viana: 8
  • Afonso Cláudio, Brejetuba e São Roque do Canaã: 7 cada

A legislação brasileira considera ilegal qualquer união envolvendo menores de 16 anos, mesmo com autorização dos responsáveis. A norma tem como objetivo combater o casamento infantil, entendido como:

  • violação de direitos fundamentais;
  • forma de violência sexual e violência de gênero;
  • prática que compromete o desenvolvimento físico, emocional e social da criança.

Apesar da proibição, os números do IBGE mostram que há persistência da prática, sobretudo em regiões de maior vulnerabilidade social.

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