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Magistrado natural de Pancas perde cargo e aposentadoria após condenação por mandar matar juiz no ES

Decisão unânime do Tribunal de Justiça do Espírito Santo também determinou pena de 24 anos de prisão em regime fechado

Por ES Fala
· 2 min de leitura · Sem comentários
Magistrado natural de Pancas perde cargo e aposentadoria após condenação por mandar matar juiz no ES

O ex-juiz Antônio Leopoldo Teixeira, natural do município de Pancas, no Noroeste do Espírito Santo, tornou-se o primeiro magistrado da história do estado a ter decretada a perda do cargo e da aposentadoria após condenação por homicídio. A decisão foi tomada por voto unânime do Pleno do Tribunal de Justiça do Espírito Santo (TJES).

O pedido para a cassação da aposentadoria e perda do cargo havia sido apresentado pelo Ministério Público do Espírito Santo (MPES). O órgão argumentou que o benefício foi adquirido em razão do exercício da função de magistrado, cargo que, segundo a acusação, teria sido utilizado para a prática dos crimes atribuídos ao ex-juiz.

A condenação está relacionada ao assassinato do juiz Alexandre Martins de Castro Filho, ocorrido em 2003. Segundo o Ministério Público, o crime teria sido motivado pelo trabalho da vítima no combate ao crime organizado no Espírito Santo.

Durante o julgamento, tanto o representante do MPES, Sócrates de Souza, quanto o relator do processo, desembargador Fábio Brasil Nery, afirmaram que as provas reunidas ao longo da investigação apontam que Leopoldo mantinha ligações com integrantes do crime organizado.

De acordo com o relato apresentado no julgamento, o ex-magistrado teria se beneficiado de um esquema criminoso que envolvia corrupção, ameaças, extorsões e homicídios. Entre as irregularidades investigadas estaria a liberação indevida de presos do sistema prisional para praticarem crimes fora do presídio, prática que, segundo o MPES, ocorria mediante concessão de benefícios e pagamento de propina.

Ainda segundo a denúncia, o juiz Alexandre Martins de Castro Filho vinha denunciando essas práticas, e sua morte teria sido ordenada para garantir que a organização criminosa continuasse atuando sem interferências.

A sentença foi lida no final da tarde desta quinta-feira (12) e contou com voto unânime dos desembargadores que participaram da sessão do Pleno do TJES.

Além da perda do cargo e da cassação da aposentadoria, Leopoldo foi condenado a 24 anos de prisão em regime fechado. Na noite do mesmo dia, ele foi encaminhado ao Presídio Militar, no Quartel de Maruípe, em Vitória, onde iniciou o cumprimento da pena.

Magistrados e desembargadores que acompanharam o julgamento relataram que não há registro de caso semelhante na história do Tribunal de Justiça do Espírito Santo.

Ao encerrar a sessão, a presidente do TJES, desembargadora Janete Vargas Simões, afirmou que o caso representa um momento de luto para o Judiciário capixaba, destacando a morte de “um jovem e promissor magistrado no cumprimento do seu dever e amor pela magistratura”.

Dos dez acusados pelo assassinato do juiz Alexandre Martins de Castro Filho, Antônio Leopoldo Teixeira foi o último a ser julgado, mais de duas décadas após o crime.

A defesa do ex-juiz, representada pelo advogado Fabrício Campos, informou que irá recorrer da decisão em todas as instâncias judiciais, inclusive em cortes internacionais. Segundo o advogado, a primeira medida será a apresentação de um pedido de habeas corpus para tentar reverter a prisão.

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