Uma declaração grave feita por um delegado da Polícia Civil do Espírito Santo acendeu um novo alerta dentro da segurança pública do Estado. Segundo o depoimento, um dos policiais investigados na Operação Turquia teria sido apontado como “o maior traficante de drogas do Espírito Santo”.
Diante da repercussão, o delegado-geral José Darcy Arruda determinou a abertura imediata de apuração para esclarecer o conteúdo do depoimento. A informação foi divulgada neste sábado (28), após o chefe da corporação tomar conhecimento do caso por meio de entrevista exibida pelo programa Fantástico, que deve apresentar reportagem completa neste domingo (29).
Corregedoria acionada e MPES envolvido
Segundo Arruda, foi solicitado ao Ministério Público do Estado do Espírito Santo acesso integral ao depoimento prestado pelo delegado. Além disso, a Corregedoria da Polícia Civil foi acionada para verificar quais medidas foram adotadas pelo delegado ao tomar conhecimento das suspeitas.
A Operação Turquia, alvo das denúncias, é conduzida pela Força Integrada de Combate ao Crime Organizado (Ficco/ES) e pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), com apoio da própria Corregedoria da Polícia Civil.
Policiais são suspeitos de desviar drogas para o tráfico
As investigações apontam para um cenário alarmante: policiais civis que atuavam no combate ao tráfico podem ter se envolvido diretamente com organizações criminosas.
De acordo com a Polícia Federal, parte das drogas apreendidas em operações oficiais estaria sendo desviada e repassada para traficantes. Em alguns casos, os entorpecentes sequer eram registrados nos boletins de ocorrência.
O caso teve início após a prisão de um dos principais líderes do tráfico na região da Ilha do Príncipe, em Vitória, em fevereiro de 2024. A partir daí, surgiram indícios de ligação entre o criminoso e servidores públicos.
Operação já teve duas fases e várias prisões
A primeira fase da Operação Turquia ocorreu em novembro do ano passado e resultou na prisão de um policial civil e no afastamento de outros dois, todos ligados ao Departamento Especializado de Narcóticos (Denarc).
Já na segunda fase, realizada no último dia 18, outro policial civil foi preso, além de cinco suspeitos. Entre os investigados está Erildo Rosa Junior, que já havia sido afastado anteriormente.
Ao todo, oito pessoas se tornaram rés no processo, incluindo policiais civis e um traficante com ligação ao PCC.
Defesas contestam acusações e pedem cautela
As defesas dos policiais investigados afirmam que as acusações ainda estão em fase inicial e que qualquer conclusão neste momento é precipitada.
Advogados alegam fragilidade nas provas, criticam os afastamentos e destacam que ainda aguardam acesso completo aos autos da investigação para apresentar defesa técnica adequada.
Em alguns casos, as medidas judiciais foram classificadas como antecipação de pena, antes mesmo da conclusão do processo.
A gravidade das denúncias deve ganhar repercussão nacional com a exibição da reportagem no Fantástico. O caso levanta questionamentos sobre a atuação de agentes públicos e possíveis falhas no controle interno das forças de segurança.
A Polícia Civil informou que todas as medidas necessárias estão sendo adotadas para garantir a apuração rigorosa dos fatos.














