O Espírito Santo passa a contar com uma nova ferramenta no enfrentamento à violência contra a mulher. Trata-se de um aplicativo que promete facilitar denúncias, pedidos de medidas protetivas e o acesso imediato à rede de apoio, com resposta ativa em até 48 horas.
A iniciativa foi desenvolvida pelo programa Fordan, da Universidade Federal do Espírito Santo, em parceria com a Defensoria Pública do Espírito Santo, e já começa a chegar aos territórios considerados mais vulneráveis.
Denúncia rápida e atendimento direto
O aplicativo permite que mulheres cis e trans registrem denúncias e solicitem medidas protetivas de urgência e pensão alimentícia, com acompanhamento qualificado por parte da Defensoria Pública.
Entre as funcionalidades, está a integração com o canal 180, inclusive via WhatsApp, ampliando o acesso ao sistema nacional de proteção.
Ao se cadastrar, a usuária informa dados pessoais, rede de apoio e formas seguras de contato, o que possibilita um atendimento mais preciso — algo essencial em situações de risco.
Além do atendimento direto, o aplicativo cria um banco de dados detalhado sobre violência de gênero no Espírito Santo. A proposta é usar essas informações para melhorar políticas públicas e ampliar a proteção às vítimas.
Segundo a coordenação do projeto, a medida é estratégica, principalmente diante de um dado preocupante: o Estado está entre os que mais registram negativas de medidas protetivas.
Cenário preocupante reforça urgência da ferramenta
Os números mostram a gravidade do problema. No Brasil, mais de 1,5 mil feminicídios já foram registrados desde 2015, segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública.
No Espírito Santo, apesar da redução nos índices oficiais, especialistas alertam para o aumento das agressões que antecedem os crimes mais graves.
Um caso recente que chocou o Estado foi o assassinato da comandante da Guarda Municipal de Vitória, Dayse Barbosa Mattos, morta pelo ex-companheiro.
O aplicativo é resultado de mais de 20 anos de atuação do programa Fordan, que registra um dado expressivo: nenhuma mulher atendida pelo projeto foi vítima de feminicídio.
A ferramenta foi desenvolvida com tecnologia segura, incluindo criptografia e proteção de dados, garantindo sigilo às usuárias.
Além disso, o sistema foi pensado para funcionar até em celulares mais simples, ampliando o alcance entre mulheres em situação de vulnerabilidade.
Nos testes iniciais, cerca de 80% das usuárias conseguiram utilizar a plataforma com sucesso, realizando cadastro e acessando serviços.














