O trânsito tem se consolidado como uma das principais causas de morte no Espírito Santo, superando, inclusive, os homicídios. Dados recentes do Observatório da Segurança Pública mostram que, apenas nos quatro primeiros meses deste ano, já foram registradas 314 mortes em acidentes, número 26% maior do que o total de assassinatos no mesmo período, que chegou a 249.
A tendência não é nova. Desde 2024, as estradas passaram a registrar mais vítimas do que a criminalidade violenta. Naquele ano, foram 986 mortes no trânsito contra 856 homicídios. Em 2025, a diferença aumentou ainda mais: 1.015 pessoas morreram em acidentes, enquanto 761 foram vítimas de assassinatos.
O cenário preocupa, principalmente no interior do Estado. Mais da metade das ocorrências entre janeiro e abril deste ano (57,32%) foi registrada em vias municipais e estaduais. Entre as cidades com maior número de mortes no período, seis estão fora da Grande Vitória, incluindo Colatina, que aparece com 20 óbitos, atrás apenas de Linhares, que lidera com 22.
Também figuram na lista municípios como Cachoeiro de Itapemirim (17), São Mateus (15), Aracruz (14) e Conceição da Barra (12). Em abril, São Mateus foi o destaque negativo, com nove mortes registradas no trânsito em apenas um mês.
Outro dado que chama atenção é o perfil das ocorrências. A maioria dos acidentes acontece à noite (48,09%), principalmente aos finais de semana, com maior incidência aos sábados (17,20%) e domingos (20,06%). As colisões são responsáveis por 41,49% dos casos.
Imprudência ao volante
A imprudência continua sendo apontada como uma das principais causas das tragédias. Durante o feriado prolongado que coincidiu com o início de maio, a Polícia Rodoviária Federal intensificou a fiscalização e flagrou centenas de infrações graves.
Somente no dia 1º de maio, 495 motoristas foram autuados por excesso de velocidade, incluindo casos acima de 134 km/h e um registro de 166 km/h. Além disso, 155 condutores foram flagrados realizando ultrapassagens proibidas.
Impacto além das estradas
Para o especialista em Direito de Trânsito, Fábio Marçal, o cenário é grave e exige mudanças urgentes. Segundo ele, a violência no trânsito vai além da questão de segurança pública.
“Muitas vítimas sobrevivem com sequelas graves e passam a depender do sistema de saúde. Em diversos casos, há impactos econômicos, com afastamentos do trabalho e até aposentadorias por invalidez”, destacou.
O especialista também chama atenção para a necessidade de melhorias na infraestrutura das vias, principalmente no interior, além do reforço na fiscalização e ampliação do uso de radares para coibir abusos.
Outro ponto levantado é a importância da educação no trânsito desde as fases iniciais da formação escolar. Para ele, a prevenção ainda é o caminho mais eficaz para reduzir os números.













