Novo programa para dívidas antigas pode beneficiar 260 mil pessoas no ES; Norte e Noroeste também serão alcançados
Proposta em elaboração prevê um leilão para recompra de débitos antigos com grandes descontos; Espírito Santo tem mais de 1,4 milhão de inadimplentes

Moradores de Colatina, Linhares, Baixo Guandu, São Gabriel da Palha, Pancas, Marilândia, São Mateus e de outros municípios das regiões Norte e Noroeste do Espírito Santo que carregam dívidas antigas poderão ser alcançados por um novo programa de redução do endividamento que está sendo preparado pelo governo federal.
A estimativa é de que cerca de 260 mil consumidores em todo o Espírito Santo possam ser beneficiados pela iniciativa. O cálculo foi feito pelo presidente do Conselho Regional de Economia do Espírito Santo (Corecon-ES), Ricardo Paixão, e pelo economista Sebastião Demuner, a partir dos dados de inadimplência no Estado.
A proposta, porém, ainda não está valendo. O programa está em elaboração e os critérios definitivos ainda não foram divulgados. Portanto, neste momento, o consumidor não precisa fazer cadastro nem procurar bancos para aderir ao novo modelo.
Governo quer atacar principalmente dívidas antigas
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, informou que a proposta tem como foco principalmente dívidas antigas, inclusive débitos acumulados durante o período da pandemia e que permanecem dificultando o acesso dos consumidores ao crédito.
A ideia é realizar uma espécie de leilão das dívidas, buscando grandes descontos — chamados de deságios — para viabilizar a aquisição desses débitos. O desenho é diferente das etapas anteriores do Desenrola Brasil.
No modelo que está sendo estudado, o governo pretende conduzir o processo diretamente com os credores, reduzindo a necessidade de cada consumidor entrar em uma plataforma para negociar individualmente. Os detalhes operacionais, entretanto, ainda estão sendo definidos.
ES tem mais de 1,4 milhão de inadimplentes
O tamanho do problema ajuda a explicar o possível alcance da medida no Espírito Santo.
Dados de agosto da Serasa apontam 1.413.589 consumidores inadimplentes no Estado. Do total das dívidas, 42,16% estavam relacionadas a bancos, cartões e financeiras.
Uma parcela expressiva dessas pendências já é antiga. Cerca de 36% das dívidas de cartão de crédito e 43% das dívidas de crédito pessoal têm mais de dois anos. É justamente esse tipo de débito que está no centro da proposta em elaboração.
A partir desse cenário, os economistas estimam que aproximadamente 260 mil capixabas possam ser alcançados pelo programa.
Embora ainda não exista uma estimativa divulgada especificamente para Colatina ou para as regiões Norte e Noroeste, moradores dessas cidades que se enquadrarem nos futuros critérios poderão participar caso o programa seja efetivamente lançado com abrangência nacional.
Capixaba negativado deve, em média, mais de R$ 5 mil
Outro dado chama atenção. Cada consumidor negativado no Espírito Santo acumulava, em agosto, uma dívida média de R$ 5.064,85.
Ao mesmo tempo, uma parcela considerável dos consumidores possui débitos relativamente pequenos: 27,25% têm dívidas de até R$ 500 e 40,33% devem até R$ 1 mil.
O tempo médio de atraso chega a 30,3 meses, enquanto 35,99% dos inadimplentes estão nessa situação há um período entre um e três anos.
“Limpar o nome” não significa crédito liberado imediatamente
A regularização das dívidas pode retirar uma importante barreira para quem tenta conseguir cartão, financiamento ou crediário. Isso, entretanto, não significa que o consumidor automaticamente terá crédito aprovado ou recuperará imediatamente seu antigo score.
As instituições financeiras continuam avaliando fatores como histórico de pagamentos, renda, comprometimento financeiro e seus próprios modelos de análise de risco antes da concessão de novos empréstimos ou financiamentos.
Quando o novo programa começa?
Ainda não existe uma data oficial para o início.
Durigan afirmou que a proposta seria apresentada ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva nos próximos dias. O formato definitivo, as dívidas que poderão ser incluídas e a operacionalização do programa ainda estão em estudo.
As versões anteriores do Desenrola alcançaram cerca de 19 milhões de brasileiros, segundo o ministro. A nova proposta pretende seguir outro caminho, concentrando-se principalmente na recompra de dívidas antigas com elevado desconto.




