Cena de série na TV faz criança revelar à mãe anos de abuso sexual em Colatina
Menino assistia à televisão com a mãe quando reconheceu situação semelhante à violência que sofria; homem próximo à família foi condenado a mais de 24 anos de prisão e acabou preso na Bahia

Uma cena exibida em uma série de televisão foi determinante para revelar um caso de violência sexual contra uma criança em Colatina. O menino assistia ao programa ao lado da mãe quando reconheceu na televisão uma situação semelhante à que, segundo as investigações, vinha sofrendo havia anos.
Naquele momento, a criança contou à mãe que uma pessoa próxima da família havia praticado atos semelhantes contra ela. A revelação abriu caminho para uma investigação que, anos depois, terminou com a condenação do homem a 24 anos, quatro meses e 15 dias de prisão por estupro de vulnerável.
Segundo informações divulgadas pela Polícia Civil, o caso chegou ao conhecimento das autoridades em 2018. As investigações apontaram que os abusos teriam ocorrido durante pelo menos dois anos, quando a vítima ainda era menor de 14 anos.
Vergonha e segredo dificultavam revelação
Conforme informações apresentadas pela Polícia Civil, o homem mantinha proximidade com a família e se aproveitava da relação de confiança para ter acesso à criança.
Durante os abusos, ele teria pedido que o menino mantivesse aquilo em segredo e prometido presentes.
A criança era pequena e, segundo relatado durante a investigação, sentia vergonha e não compreendia completamente aquilo que estava acontecendo.
Foi somente ao assistir à situação retratada na televisão que conseguiu relacionar o conteúdo exibido ao que havia vivido e conversar com a mãe.
Sinais já haviam aparecido
A delegada Jaciely Favoretti, titular da Delegacia de Proteção à Criança, ao Adolescente e ao Idoso (DPCAI) de Colatina, revelou que a mãe já havia percebido alguns sinais físicos antes de descobrir os abusos.
Segundo a delegada, a criança apresentava assaduras em algumas ocasiões e reclamava de dores ao evacuar. Na época, porém, esses sinais ainda não haviam sido associados pela família a uma possível violência sexual.
A Polícia Civil chamou atenção justamente para a importância de pais e responsáveis observarem alterações de comportamento, relatos, dores ou outros sinais apresentados pelas crianças.
Mesmo sem perícia, investigação levou à condenação
Como houve um intervalo considerável entre os fatos e a revelação, não foi possível produzir provas periciais relacionadas ao período em que os abusos teriam acontecido.
Ainda assim, a investigação reuniu depoimentos de testemunhas e a vítima foi ouvida por meio dos procedimentos especiais previstos para crianças e adolescentes.
O conjunto de elementos reunidos levou à condenação do homem, em maio deste ano, a mais de 24 anos de prisão.
Após a expedição do mandado definitivo, ele deixou Colatina e passou a ser procurado. O condenado, atualmente com 62 anos, foi localizado em Teixeira de Freitas, no sul da Bahia, após aproximadamente quatro meses de buscas.
A localização contou com trabalho de inteligência e cooperação entre as polícias civis do Espírito Santo e da Bahia.
Polícia faz alerta aos pais
O caso levou a Polícia Civil a reforçar uma orientação especialmente importante às famílias: crianças precisam saber que podem contar aos responsáveis situações que provoquem medo, vergonha ou desconforto e que pedidos de adultos para manter determinados comportamentos em segredo devem servir de alerta.
A identidade da vítima, do condenado e informações que possam permitir a identificação da criança são preservadas.
ES FALA: informação crédito ES HOJE




