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Mais de 82 mil eleitores do ES digitaram 13 ou 22 para governador e tiveram votos anulados

Levantamento dos registros das urnas mostra que milhares de capixabas escolheram números de partidos que não disputavam o segundo turno para o governo estadual.

Por Phelipe Zanqueta
Jornalista e radialista · Colaborador
· 2 min de leitura · Sem comentários
Mais de 82 mil eleitores do ES digitaram 13 ou 22 para governador e tiveram votos anulados

Um dado das eleições de domingo (25) chama a atenção no Espírito Santo. Mais de 82 mil eleitores digitaram os números 13, do PT, ou 22, do PL, na votação para governador, embora nenhum dos dois partidos tivesse candidato próprio na disputa do segundo turno. Todos esses votos foram considerados nulos.

Os números fazem parte de um levantamento realizado pelo jornal A Gazeta, com base nos Registros Digitais de Voto (RDVs) das urnas eletrônicas utilizadas no Estado.

Ao todo, 50.546 eleitores digitaram o número 13, correspondente ao Partido dos Trabalhadores, enquanto outros 32.225 escolheram o número 22, do Partido Liberal. Somados, foram 82.771 votos anulados, o equivalente a aproximadamente 62,3% de todos os votos nulos para governador.

No segundo turno, os únicos candidatos ao governo do Espírito Santo eram Lorenzo Pazolini (Republicanos), número 10, e Ricardo Ferraço (MDB), número 15. Pazolini venceu a eleição com 52,17% dos votos válidos.

O que pode explicar tantos votos nulos?

O volume de votos registrados nos números 13 e 22 levanta questões sobre o comportamento dos eleitores na cabine de votação.

Uma das possibilidades é que parte dos eleitores tenha optado deliberadamente por anular o voto para governador, utilizando o número do partido de sua preferência política.

Outra hipótese é a confusão entre as duas disputas realizadas no mesmo dia: a eleição presidencial e a escolha do governador.

Na disputa pela Presidência da República, Lula representava o PT, número 13, enquanto Flávio Bolsonaro concorria pelo PL, número 22.

Assim, é possível que alguns eleitores tenham digitado o número do candidato à Presidência quando a urna ainda solicitava o voto para governador.

No caso do número 22, também existe a possibilidade de confusão com a candidatura de Pazolini, que tinha o apoio do PL, embora seu número na urna fosse 10.

Essas explicações, entretanto, são hipóteses. Os registros digitais mostram quais números foram digitados, mas não permitem identificar a intenção individual dos eleitores.

Espírito Santo teve mais de 132 mil votos nulos

O balanço da votação para governador no segundo turno apresenta os seguintes números:

  • Total de votos: 2.405.654
  • Votos válidos: 2.207.937
  • Votos nulos: 132.846
  • Votos em branco: 64.871

Entre os votos nulos, o número 13 representou 38,05% do total, enquanto o número 22 respondeu por 24,25%.

Outro número frequentemente utilizado para anular o voto, o 00, apareceu em 22,56% dos registros de votos nulos.

Situação também chamou atenção no primeiro turno

A presença de números de partidos sem candidatos na disputa estadual não foi exclusiva do segundo turno.

Na primeira votação, realizada em 4 de outubro, 45.222 eleitores digitaram o número 22 para governador, mesmo sem o PL apresentar candidato próprio ao cargo.

Naquela etapa, o PT tinha Helder Salomão como candidato ao Palácio Anchieta. Ele terminou em terceiro lugar, com 15,32% dos votos válidos, ficando fora da disputa decisiva.

Os dados mostram que uma parcela expressiva dos votos nulos foi registrada com números de partidos conhecidos nacionalmente, mas não permitem determinar quantos resultaram de protesto, preferência partidária ou erro na votação.

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