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Listas de boicote a comerciantes e profissionais por posição política chegam a 15 cidades do ES

Colatina, Baixo Guandu, Barra de São Francisco e Rio Bananal estão entre os municípios onde circulam listas de pessoas e estabelecimentos apontados como sendo de esquerda. Prática pode resultar em ações judiciais e pedidos de indenização.

Por Carlos Cavalcante
Jornalista e radialista · Colaborador eventual
· 3 min de leitura · Sem comentários
Listas de boicote a comerciantes e profissionais por posição política chegam a 15 cidades do ES

A circulação de listas que incentivam o boicote a comerciantes, profissionais liberais e estabelecimentos comerciais por suposto posicionamento político já alcança pelo menos 15 municípios do Espírito Santo. Os conteúdos são compartilhados principalmente por aplicativos de mensagens e redes sociais, em meio à repercussão do segundo turno das eleições presidenciais de 2026.

Entre as cidades mencionadas estão Colatina, Baixo Guandu, Barra de São Francisco e Rio Bananal, municípios das regiões Norte e Noroeste do Estado.

As listas reúnem nomes de pessoas e empresas identificadas como sendo de esquerda, com o objetivo de estimular consumidores a deixarem de contratar serviços ou comprar produtos desses estabelecimentos.

A prática tem provocado preocupação entre profissionais que temem prejuízos financeiros, exposição pública e possíveis situações de constrangimento.

Confira as 15 cidades onde há relatos de listas

De acordo com o levantamento divulgado, os municípios são:

  1. Afonso Cláudio
  2. Alegre
  3. Baixo Guandu
  4. Barra de São Francisco
  5. Boa Esperança
  6. Cachoeiro de Itapemirim
  7. Castelo
  8. Colatina
  9. Domingos Martins
  10. Guaçuí
  11. Guarapari
  12. Rio Bananal
  13. Santa Maria de Jetibá
  14. Venda Nova do Imigrante
  15. Vitória

Os conteúdos incluem profissionais de diferentes áreas, como advogados, psicólogos, manicures, esteticistas e tatuadores.

Também aparecem estabelecimentos comerciais, entre eles restaurantes, açougues, padarias e pousadas. Até igrejas e lideranças religiosas foram mencionadas nas listagens por supostas posições políticas.

Profissional relata perda de contratos após eleição

Em Domingos Martins, na região Serrana do Espírito Santo, uma profissional liberal relatou ter enfrentado prejuízos após o segundo turno das eleições presidenciais.

Segundo ela, contratos foram cancelados pouco depois da votação. Uma das contratantes teria feito publicações nas redes sociais sugerindo a dispensa de profissionais ligados ao Partido dos Trabalhadores.

A mulher afirmou que não mantém perfil público com manifestações políticas, mas acredita ter sido identificada como pessoa de esquerda por integrar a comunidade LGBTQIAPN+.

Ela relatou sentimentos de medo e insegurança diante da possibilidade de que as listas provoquem situações de hostilidade além das redes sociais.

Divulgação de listas pode ter consequências judiciais

A criação e o compartilhamento de listas destinadas a prejudicar pessoas ou empresas por posicionamento político podem gerar consequências jurídicas.

Dependendo das circunstâncias, os envolvidos podem responder a ações de indenização por danos morais ou materiais. Em determinadas situações, a conduta também pode configurar infrações penais, conforme o conteúdo divulgado e a forma de exposição das pessoas.

Entretanto, a responsabilização não é automática e depende da análise de cada caso.

A circulação dessas listas também levanta discussões sobre liberdade de expressão, discriminação e os limites de manifestações políticas que possam atingir a reputação ou a atividade profissional de terceiros.

ES FALA já havia noticiado o problema em seis municípios

O Portal ES FALA publicou, nesta quinta-feira (29), uma reportagem sobre a circulação dessas listas em seis cidades capixabas. Com o novo levantamento divulgado pelo jornal A Gazeta, o número de municípios mencionados subiu para 15. ES Fala+1

A ampliação mostra que os relatos não estão restritos às cidades inicialmente identificadas, alcançando diferentes regiões do Espírito Santo.

Até o momento, não há informações consolidadas sobre o número total de comerciantes e profissionais incluídos nas listas, nem sobre a quantidade de pessoas que efetivamente sofreram prejuízos financeiros.

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