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Cachaça produzida em Linhares conquista Duplo Ouro e coloca Espírito Santo entre os destaques nacionais do setor

Alambique Princesa Isabel, instalado às margens do Rio Doce, conquistou uma das maiores premiações do país e amplia projeção da produção capixaba

Por ES Fala
· 3 min de leitura · Sem comentários
Cachaça produzida em Linhares conquista Duplo Ouro e coloca Espírito Santo entre os destaques nacionais do setor

O Espírito Santo voltou a ganhar destaque no cenário nacional dos destilados artesanais com uma conquista que coloca uma marca capixaba entre as melhores do Brasil. O Alambique Princesa Isabel, instalado na Fazenda Tupã, em Linhares, conquistou o prêmio Duplo Ouro no Concurso New Spirits 2026, uma das premiações mais respeitadas do setor.

A principal honraria foi conquistada pela cachaça Princesa Isabel Nebbiolo, avaliada às cegas por um júri técnico especializado. O selo Duplo Ouro é reservado apenas para bebidas consideradas de excelência sensorial dentro do universo dos destilados artesanais.

Além do reconhecimento máximo, o alambique também conquistou medalha de Ouro com a Princesa Isabel Jequitibá Rosa, medalha de Prata com a Carvalho/Amburana e Mérito Sensorial com o Mar Gin.

A premiação representa uma trajetória de crescimento da marca capixaba, que vem ampliando espaço em um mercado historicamente dominado por produtores tradicionais de estados como Minas Gerais, São Paulo e regiões do Nordeste.

Outro fator que chamou atenção no setor foi o fato de a Princesa Isabel ter sido a única cachaça capixaba a alcançar a fase final da Cúpula da Cachaça 2026, considerado o principal ranking nacional do segmento.

O reconhecimento nacional não é novidade para o alambique de Linhares. Em 2018, a Princesa Isabel Jequitibá Rosa conquistou o primeiro lugar na categoria Cachaça Branca na própria Cúpula da Cachaça, enquanto a versão Jaqueira entrou no Top 20 do país. Desde então, a marca passou a acumular medalhas em concursos internacionais, incluindo o Spirits Selection by Concours Mondial de Bruxelles, um dos mais prestigiados do mundo no setor de destilados.

Segundo os responsáveis pela produção, o diferencial está no processo artesanal aliado à técnica refinada. A produção inclui colheita manual da cana sem queima, moagem rápida após a colheita, fermentação com leveduras selecionadas e envelhecimento em madeiras nobres como jequitibá-rosa, carvalho europeu, carvalho americano, bálsamo e jaqueira.

A Princesa Isabel Nebbiolo, responsável pelo Duplo Ouro, se destaca justamente pela proposta diferenciada. O destilado possui influência da uva Nebbiolo durante o envelhecimento, aproximando técnicas do universo dos vinhos ao processo de produção da cachaça e criando uma identidade sensorial considerada incomum no mercado brasileiro.

“O concurso é um retorno importante sobre a qualidade do que produzimos. O reconhecimento nos mostra que estamos no caminho certo”, afirmou Pedro Cellia, proprietário do alambique.

Em meio à expansão da marca, o grupo também anunciou investimentos superiores a R$ 2 milhões entre 2025 e 2026 para modernização da estrutura produtiva. Os recursos foram destinados à ampliação da capacidade de armazenamento, melhorias nos equipamentos de destilação, controle de qualidade e adequações ambientais voltadas ao processo de envelhecimento das bebidas.

Fundado oficialmente em 2016 por Adão Cellia e Maria Isabel de Moraes, o Alambique Princesa Isabel nasceu às margens do Rio Doce, em Linhares. O nome da marca homenageia a matriarca da família, enquanto os rótulos em aquarela retratam a fauna capixaba e reforçam a conexão da produção com a identidade regional.

Hoje, com participação dos filhos Pedro e Gabriela Cellia e consultoria do mestre de adega Leandro Marelli, o alambique vem consolidando um espaço de destaque raro para uma marca artesanal do Espírito Santo no competitivo mercado nacional da cachaça premium.

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