Paciente conhecido como ‘canibal’ desaparece após sair de CAPS no ES e mobiliza autoridades
Homem passou anos no antigo manicômio judiciário do Espírito Santo e foi localizado após cerca de 24 horas. Governo e Ministério Público investigam possíveis falhas no acompanhamento.

Um paciente que passou anos internado na antiga Unidade de Custódia e Tratamento Psiquiátrico (UCTP), no Espírito Santo, e ficou conhecido publicamente como “canibal”, desapareceu após se afastar de seu cuidador durante um deslocamento para atendimento em um Centro de Atenção Psicossocial (CAPS).
O homem permaneceu desaparecido por aproximadamente 24 horas, até ser localizado na tarde desta quinta-feira (15), em outro bairro. O caso mobilizou órgãos estaduais e levantou questionamentos sobre os procedimentos de acompanhamento de pacientes que deixaram o antigo manicômio judiciário.
Segundo a Secretaria de Estado da Saúde (Sesa), o paciente foi encontrado em segurança e está sendo avaliado por uma equipe de saúde. A pasta não divulgou sua identidade, localização exata ou informações sobre suas condições clínicas.
Como aconteceu o desaparecimento?
De acordo com o Tribunal de Justiça do Espírito Santo (TJES), o paciente se afastou do cuidador que o acompanhava durante o deslocamento para atendimento no CAPS.
Após o desaparecimento, a Secretaria de Estado da Saúde e a Secretaria de Estado da Segurança Pública (Sesp) foram acionadas.
O homem acabou sendo encontrado na tarde de quinta-feira, depois de permanecer cerca de um dia sem acompanhamento.
O Tribunal de Justiça informou que acompanha o episódio junto aos órgãos responsáveis e que serão avaliadas medidas para reforçar os protocolos de supervisão e segurança.
Governo investiga possível falha no acompanhamento
A Sesa informou que está apurando as circunstâncias do desaparecimento, após receber uma comunicação da empresa responsável pela gestão do Serviço de Residência Terapêutica (SRT).
A investigação administrativa deverá esclarecer como o paciente conseguiu se afastar do acompanhamento e se os procedimentos previstos para seu atendimento foram cumpridos.
A Secretaria destacou que eventuais irregularidades identificadas na gestão poderão resultar na adoção de medidas administrativas.
O Ministério Público do Espírito Santo (MPES) também deverá acompanhar o caso.
Por meio do Grupo Especial de Trabalho em Execução Penal (Getep), o órgão informou que solicitará esclarecimentos detalhados sobre o episódio e sobre a atuação da empresa responsável pelas residências terapêuticas.
O objetivo é identificar possíveis falhas e evitar que situações semelhantes voltem a acontecer.
O assunto também será discutido por um grupo de monitoramento integrado por representantes do Ministério Público, Tribunal de Justiça, Secretaria de Saúde e Secretaria de Justiça.
Homem passou anos no antigo manicômio judiciário
O paciente fazia parte do grupo de pessoas que permaneceram internadas na Unidade de Custódia e Tratamento Psiquiátrico, instituição destinada ao cumprimento de medidas de segurança determinadas pela Justiça.
Essas medidas são aplicadas em situações nas quais a pessoa é considerada inimputável em razão de transtorno mental, conforme avaliação judicial e pericial.
Com o encerramento das atividades da unidade, os antigos internos passaram por avaliações individualizadas para definição das alternativas de acompanhamento e tratamento.
Alguns retornaram ao convívio familiar, enquanto outros foram encaminhados para serviços de acolhimento ou residências terapêuticas.
No caso do paciente que desapareceu, a assistência passou a ocorrer em uma residência terapêutica vinculada à rede estadual de saúde.
Fechamento do manicômio mudou o atendimento no Espírito Santo
A desinternação dos pacientes da antiga UCTP faz parte da reorganização da assistência em saúde mental determinada pela Resolução nº 487 do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), de 2023.
A norma estabeleceu diretrizes para o encerramento dos hospitais de custódia e tratamento psiquiátrico, priorizando o atendimento na Rede de Atenção Psicossocial e o acompanhamento individualizado.
No Espírito Santo, o processo envolveu diferentes instituições, incluindo o Tribunal de Justiça, Ministério Público, Secretaria de Justiça e Secretaria de Saúde.
A mudança busca substituir o modelo de internação prolongada por formas de tratamento e acompanhamento adequadas às necessidades de cada paciente.
O desaparecimento ocorrido nesta semana, entretanto, deverá ser analisado pelas autoridades para verificar se houve falhas na supervisão durante o atendimento.
Até o momento, não foram divulgadas informações sobre eventuais consequências disciplinares ou administrativas.
A identidade do paciente permanece preservada pelas autoridades em razão das normas de proteção de dados pessoais e de sigilo das informações de saúde.




