Espírito Santo perde coronel Orely Lyrio, natural de João Neiva, que marcou a história da Polícia Militar e dos Bombeiros
Orely Lyrio construiu uma trajetória de décadas nas instituições militares capixabas, participou do Conflito do Contestado e chegou ao comando-geral do Corpo de Bombeiros.

O Espírito Santo perdeu uma figura histórica de suas instituições militares. O coronel da reserva Orely Lyrio, de 91 anos, natural de Acioli, distrito de João Neiva, morreu nesta terça-feira (20). Sua trajetória foi marcada por funções de comando, participação em um conflito territorial entre dois estados e mais de sete décadas de ligação com a vida militar capixaba.
Nascido em 25 de fevereiro de 1935, Orely iniciou sua carreira na Polícia Militar do Espírito Santo em 1953. Três anos depois, em 1956, concluiu sua formação como oficial na Escola de Formação de Oficiais do Distrito Federal.
Um dos episódios mais marcantes de sua carreira ocorreu em julho de 1957, quando, ainda jovem aspirante a oficial, comandou o 1º Pelotão da Polícia Militar durante o chamado Conflito do Contestado, relacionado à histórica disputa pelos limites territoriais entre o Espírito Santo e Minas Gerais, na região de Barra de São Francisco, no Noroeste capixaba.
A participação nesse episódio colocou o militar em um momento importante da história territorial do Espírito Santo.
Ao longo da carreira, Orely Lyrio serviu em diferentes batalhões e alcançou o posto de subcomandante-geral da Polícia Militar. Em 1982, assumiu o comando-geral do Corpo de Bombeiros Militar do Espírito Santo, permanecendo na função durante dois anos.
Disciplina nos quartéis e uma rotina de natação
Conhecido pelo carisma e pelo rigor na formação de novos militares, o coronel também se destacava pela participação frequente em solenidades oficiais das corporações, mesmo depois de passar para a reserva.
Fora dos quartéis, mantinha hábitos que chamavam a atenção de quem o conhecia. Em Vitória, era conhecido pela disciplina com a própria saúde e pela rotina de natação nas primeiras horas da manhã, na piscina do Clube de Oficiais da Polícia Militar, em Camburi.
A morte provocou manifestações de pesar de autoridades, parlamentares, associações militares e antigos companheiros de farda.
O governador Ricardo Ferraço destacou a contribuição do coronel para as instituições do Estado.
“Com uma trajetória de 70 anos de vínculo com as instituições militares capixabas, coronel Orely Lyrio deixa um legado de dedicação, compromisso e serviços prestados ao nosso Estado”, escreveu em suas redes sociais.
O sepultamento foi informado para esta quarta-feira (21), às 16h, no Cemitério de Santo Antônio, em Vitória.
Natural do interior de João Neiva, Orely Lyrio deixa seu nome ligado à história da segurança pública capixaba, especialmente pela atuação em funções de comando e pela participação em um dos episódios históricos envolvendo os limites territoriais do Espírito Santo.




