Agora

Habitantes do Norte e Noroeste do ES que sofrem com enxaqueca ganham nova esperança contra as crises

Novo medicamento oral aprovado pela Anvisa é destinado à prevenção da enxaqueca em adultos com pelo menos quatro dias de crises por mês; doença pode atingir cerca de 476 mil adultos no Espírito Santo

Por ES Fala
· 4 min de leitura · Sem comentários
Habitantes do Norte e Noroeste do ES que sofrem com enxaqueca ganham nova esperança contra as crises

Uma dor que pode obrigar a pessoa a interromper o trabalho, apagar as luzes, fugir do barulho e passar horas esperando a crise terminar. Para habitantes do Norte e Noroeste do Espírito Santo que convivem com a enxaqueca, uma nova opção de tratamento preventivo acaba de receber aprovação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

Trata-se do atogepanto, comercializado como Aquipta, medicamento oral destinado à prevenção da enxaqueca em adultos que apresentam pelo menos quatro dias da doença por mês.

A novidade ganha importância diante da dimensão do problema. Estima-se que a enxaqueca afete cerca de 15% da população. Considerando os adultos residentes no Espírito Santo, seriam aproximadamente 476 mil pessoas convivendo com a condição.

Isso significa que milhares de moradores de Colatina, Linhares e demais municípios das regiões Norte e Noroeste podem estar entre aqueles que enfrentam crises recorrentes, muitas vezes com impacto no trabalho, nos estudos, na vida familiar e nas atividades mais simples do cotidiano.

Não é apenas uma dor de cabeça

A enxaqueca é uma doença neurológica. A dor geralmente varia de moderada a forte, apresenta característica pulsátil ou latejante e pode piorar com movimentos.

Também são frequentes a intolerância à luz e ao barulho, além de náuseas e vômitos. Algumas pessoas apresentam ainda maior sensibilidade a determinados odores.

Para quem sofre repetidamente com essas crises, a prevenção pode fazer grande diferença na qualidade de vida.

O que muda com o novo medicamento?

O atogepanto pertence à classe dos chamados “gepantes” e atua bloqueando o receptor do CGRP, substância envolvida nos mecanismos relacionados à transmissão da dor e à enxaqueca.

A neurologista Marina Tanure explica que, durante muitos anos, medicamentos originalmente desenvolvidos para outras doenças — entre eles determinados antidepressivos, anticonvulsivantes e anti-hipertensivos — também foram utilizados na prevenção da enxaqueca.

Nos últimos anos, entretanto, surgiram tratamentos desenvolvidos especificamente para atuar sobre mecanismos relacionados à doença.

Uma das diferenças da nova alternativa é a administração por via oral.

Segundo o neurologista Daniel Escobar, já existiam medicamentos de mecanismo semelhante administrados por injeção. A chegada de uma opção em comprimidos pode facilitar a adesão de determinados pacientes ao tratamento.

A Anvisa autorizou apresentações do Aquipta de 10 mg e 60 mg, em caixas contendo 28 comprimidos.

Quem poderá utilizar?

O medicamento foi aprovado para a prevenção da enxaqueca em adultos com pelo menos quatro dias de enxaqueca por mês.

O neurologista Gabriel Baltazar explica que tratamentos preventivos são especialmente importantes para pessoas que apresentam crises frequentes ou incapacitantes.

Isso não significa, porém, que qualquer pessoa que tenha dor de cabeça deva começar a utilizar a medicação.

A avaliação médica é fundamental para estabelecer o diagnóstico correto, verificar a frequência das crises e determinar qual tratamento é mais adequado para cada paciente.

Rotina também faz parte do tratamento

Apesar dos avanços nos medicamentos, os especialistas destacam que controlar a enxaqueca vai além dos comprimidos.

Sono irregular, jejum prolongado, pouca hidratação, estresse, sedentarismo e consumo excessivo de cafeína podem dificultar o controle das crises em algumas pessoas.

Outro ponto de atenção é o uso excessivo de analgésicos. O consumo frequente desses medicamentos pode provocar efeito contrário ao desejado e contribuir para o aumento da frequência das dores.

A orientação inclui manter horários regulares para dormir e se alimentar, beber água adequadamente, praticar atividades físicas e identificar possíveis fatores desencadeantes das crises.

Também existem particularidades individuais. Determinados alimentos, por exemplo, podem funcionar como gatilhos para algumas pessoas e não provocar qualquer reação em outras.

Mulheres precisam observar alterações hormonais

As flutuações hormonais também estão associadas à enxaqueca em muitas mulheres.

Segundo especialistas, alterações nos níveis de estrogênio podem contribuir para crises durante determinadas fases da vida e também próximas ao período menstrual.

Por isso, conhecer o próprio padrão das crises e levar essas informações ao médico pode ajudar na definição do tratamento.

E quanto vai custar?

Ainda não há preço definido para o novo medicamento no Brasil.

A AbbVie, farmacêutica responsável pelo Aquipta, informou que o atogepanto ainda passará pela avaliação da Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED), responsável por estabelecer os preços máximos dos medicamentos comercializados no país.

Portanto, apesar da aprovação da Anvisa representar mais uma alternativa para o tratamento preventivo da enxaqueca, preço e condições de acesso ao medicamento ainda são questões importantes a serem definidas.

Para milhares de pessoas que convivem com crises recorrentes no Espírito Santo, especialmente moradores de Colatina, Linhares e municípios do Norte e Noroeste, a novidade amplia as possibilidades de tratamento de uma doença que ainda é muitas vezes tratada simplesmente como “uma dor de cabeça”, mas que pode comprometer significativamente a qualidade de vida.

ES FALA: informação A Tribuna

Compartilhe esta notícia

Sem comentários

Deixe seu comentário

Os comentários passam por moderação antes de aparecer.

Mais em Ciência

As notícias da semana no seu e-mail

Todo fim de semana, o resumo do que mais importou em Colatina, no Noroeste e no Espírito Santo. Grátis, e dá para sair quando quiser.